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Ironman 70.3 Fortaleza – A prova

18 de junho de 2019 2 comentários

Acreditando na opinião da galera que dizia que a prova era muito dura, fui fazer o 70.3 de Fortaleza. Eles tinham razão… Eita prova boa!!!

Pré Prova

Chegamos em Fortaleza na noite de sexta (a prova era domingo) e não deu tempo nem de montar a bike nessa noite. Foi chegar e dormir mesmo. Para economizar, pegamos um voo que dava a volta ao Brasil inteiro e passamos a sexta-feira inteira viajando, literalmente.

Acordamos cedinho no sábado pra montar as bikes e pegar os kits. Além disso, a Lívia tinha compromissos profissionais logo cedo e eu tinha que arrumar um capacete. Sim, esqueci o meu capacete em casa, em cima do sofá, na correria de descer pra pegar o táxi que, supostamente, estava me esperando.

Sobre o capacete, esclareço: sempre levo meu capacete na mão pq tenho medo de ele quebrar na viagem. Pra não esquecer, prendo ele no “grampo” que tem na minha mochila. Na correria pra sair, precisei abrir a mochila e soltei o capacete… Ele ficou… A sorte é que hoje em dia, com as redes sociais, a gente consegue tudo… Acionamos um amigo de Fortaleza ainda na fila do embarque, quando percebi que tinha esquecido, e antes da decolagem já tinha conseguido quem me emprestasse um capacete… Que aliás, é do modelo do meu e ainda combinou bem mais com o uniforme… hahaha

Com tudo resolvido e o kit na mão, fomos dar uma nadadinha pra sentir o mar, uma pedaladinha pra testar as bikes e uma corridinha pra soltar as pernas. Tudo isso ainda antes do almoço.

Depois do almoço, descanso, bike check in, mais descanso, jantar e dormir…

Na manhã da prova, tudo muito tranquilo, sem atropelos… O hotel próximo à largada é uma coisa fundamental… Acordamos tranquilos, tomamos café, fomos arrumar as coisas na transição e ainda deu tempo de voltar no hotel…

Swim

A natação em Fortaleza é sem roupa de borracha… Não tinha a menor condição de liberar a roupa de borracha. A água estava muuito quente… Mas vamos à prova:

De umas provas pra cá, já decidi que meu lugar de largar não é lá no fundo, daqueles que vão pra água caminhando. Minha largada é ali na frente… Não com o peito na faixa mas umas duas fileiras pra trás… Ali eu consigo correr pra água e já me livro de uma enorme confusão na frente sem ser atropelado por todos que vem de trás… Acho que ali é meu lugar…

Comecei a nadar e, sinceramente, nunca tenho novidades aqui… Eu nado quase sempre no mesmo ritmo, seja short, olímpico, meio iron ou iron… Fui lá, contornando as boias… Errando um pouco a direção pra lá e pra cá… No final nadei quase 200m a mais… Como de costume… Rs

Tinha uma pequena correnteza e sacudia um pouco, mas nada demais… Até que pra uma natação sem roupa de borracha, não foi tão ruim assim…

T1

Nessa prova não tínhamos tenda de troca. Segundo o Galvão, “dono” do Ironman no Brasil, é pra se adequar a todos os 70.3 do mundo… Eu particularmente prefiro assim, com as coisas arrumadas junto à bike, vc chega, deixa o que tem que deixar, pega o que tem que pegar e vai embora. Rápido e fácil…

Eu gostei!!!

Bike

Comecei a pedalar com a certeza de que tinha que imprimir um ritmo forte na primeira metade da prova, que era a favor do vento… O problema foi que não consegui…

A gente sabe muito bem o sentido do vento lá em Fortaleza e sabe também que, quanto mais tarde, mais vento. Resumindo, faça força na ida pra pegar menos vento na volta!!! Não deu.

Nem dá pra falar que era o freio pegando ou coisas do tipo… Eu olhava pra potência e não conseguia colocar a potência que eu queria de jeito nenhum… A galera ia me passando e eu não tinha o que fazer… Quando fiz o retorno, foi como se tomasse um soco. Bati na parede de vento e aí sim comecei a sofrer…

Lá pelo km 70 ou 75, meu pescoço doía tanto que quase não conseguia mais ficar no clip… E ficar fora do clip com o vento contra, ninguém merece… O capacete emprestado era um pouquinho maior que o meu e estava meio folgado… Balançava um pouco e acho que isso contribuiu pra aumentar a dor… Mesmo se fosse meu capacete teria dado problema… Talvez menor, mas daria… Eu já estava sentindo um incômodo nos últimos treinos… Preciso resolver isso…

Resumindo, é um pedal sofrido! O início e o término, que é numa área bem urbana, tem muitos buracos e a atenção tem que ser máxima, fora isso é só o calor e o vento que judiam mesmo…

T2

Mais uma vez uma transição bem simples… Largar a bike, tirar o capacete e sair pra correr… Tudo junto no mesmo lugar, muito bom…

Run

Saí pra correr com as pernas cansadas do pedal sofrido… Uns 300m depois da saída da T2 tinha um corredor enorme de pessoas torcendo e gritando o tempo todo. A energia é tão sinistra que tive que me conter pra não exagerar no pace e quebrar mais ainda…

O percurso eram 3 voltas de 7km cada uma… A primeira eu comecei num pace de conforto que, no meu “fantástico mundo”, conseguiria manter sem problemas até o final… Quanta inocência!!!

No final da primeira volta já tinha tomado a decisão de caminhar 1min em cada posto de hidratação… Isso me fez conseguir voltar a correr naquele pace anterior. As caminhadas atrapalhavam mas pelo menos quando eu estava correndo, tinha alguma dignidade… Rs

Lá pelo meio da segunda volta percebi que dava pra caminhar só 30s em cada posto de hidratação e assim fui…

No retorno da terceira volta eu só pensava em chegar o mais rápido possível pra acabar logo com aquilo… Nos últimos 3 kms eu vim acelerando progressivamente e cheguei como se estivesse iniciando a corrida… Bem forte… Isso me faz pensar que, como de costume, fui conservador demais durante a corrida…

Na hora achei que minha prova tinha sido bem ruim mas, no final das contas, vendo a quebradeira que foi, e reconhecendo minha capacidade física atual, acho que foi uma prova muito boa…

No geral, gostei bastante da prova em si… Esqueçam fazer o melhor tempo da vida aqui. A sacudida do mar, o vento do pedal e o calor da corrida não colaboram muito para que tenhamos muitos PBs (personal bests) pra postar mas se vc for pensar em uma experiência de prova, façam o 70.3 Fortaleza!!! Vale cada minuto do sofrimento!!!

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A vida é feita de altos e baixos

15 de abril de 2019 1 comentário

Reza a lenda que Chico Xavier tinha uma placa ao lado da cama que dizia: “isso também passa!!!”

Quando perguntado sobre o significado da frase, ele disse que era para se lembrar que quando estivesse passando por momentos difíceis, poder se lembrar de que eles iriam embora. Que iriam passar. E que ele teria que passar por aquilo por algum motivo.

Mas essa placa também era para lembrá-lo que quando estivesse muito feliz, não deixar tudo para trás e se deixar levar, porque esses momentos também iriam passar e momentos difíceis também viriam de novo.

Tá, mas e daí??? Todo mundo sabe disso!!! Tá falando isso por que???

  • Tô falando porque nos esportes essa é uma realidade que bate na nossa cara todos os dias;
  • Tô falando porque o fantástico mundo das redes sociais joga uma cortina de fumaça sobre essa realidade;
  • Tô falando porque algumas vezes já ouvi a seguinte pergunta: “vocês treinam direto sem adoecer nunca?”;
  • Tô falando porque algumas vezes já ouvi a seguinte pergunta: “sempre dá tudo certo nas provas?”;
  • Tô falando porque existem milhões de motivos que provam que isso é uma realidade.

No domingo passado, dia 07/abril, acabei correndo a Rio City Half Marathon da série Run Cities. Não estava treinando pra essa prova e nem esperava fazê-la, porém, a Lívia acabou se inscrevendo num sorteiro do Instagram e me marcou. Acabei me inscrevendo no sorteio também e, acreditem se quiser pq até agora eu tb não acreditei, nós dois ganhamos a inscrição para essa prova!!!

O objetivo na prova era se divertir. Fazer um giro de 21k no conforto. Sem estressar muito o corpo já que 7 dias depois, em 14/abril, faríamos o Brasília Endurance, triathlon com distância de meio iron (1900m/90k/21k).

Tivemos um dia bastante diferente. Eu corri o tempo todo no meu ritmo de conforto e fiz exatamente o que queria ter feito. Lívia teve um dia mais difícil, não se sentiu bem e, o ritmo de conforto dela, que é muito mais rápido que o meu, acabou ficando tão lento quanto o meu e acabamos terminando a prova juntos.

Já domingo agora, a coisa foi bem diferente. Viajamos no sábado de manhã para Brasília e logo depois do almoço já estávamos com quase tudo da prova resolvida menos duas: montar as bikes e descobrir o que eram umas pintas vermelhas que apareceram espalhadas nos meus pés e mãos. Acertadamente a Lívia me convenceu a ir no hospital. Passamos a a tarde inteira e o começo da noite fazendo exames pra descobrir que não era nada além de uma simples virose mas que não dava pra eu fazer a prova.

Já de noite, a Lívia foi montar a bike dela pra poder fazer a prova. Dormiu umas 4h, no máximo, aquela noite pra poder largar num meio iron no dia seguinte com zero de descanso só pra poder me acompanhar no hospital. Ela falou sobre isso semana passada num post e é pura verdade. Nessas horas é que descobrimos quem está realmente disposto a passar os perrengues com a gente.

No dia seguinte, adivinha o que aconteceu??? Ela foi lá e, mesmo com todas as dificuldades da viagem conseguiu um belo segundo lugar no pódio geral…

Parabéns Baixinha, você é o máximo!!!

E agora? Entendeu o título??? Numa semana eu estava bem e ela mal. Na semana seguinte eu estava péssimo e ela já estava bem melhor…

Sigamos em frente, a vida é sempre assim, “isso também passa!!!”

Ironman 70.3 Rio 2018 – A Prova

22 de março de 2019 1 comentário

Sim, eu sei, tô muito atrasado… Mas acho que sempre vale à pena deixar um registro por aqui… E infelizmente a correria do dia a dia não me permite uma dedicação maior pra isso aqui…

A prova do Rio é, pra mim, uma prova muito especial… É no quintal de casa! Isso, obviamente, como tudo na vida, tem seus prós (não preciso gastar dinheiro com passagens e hospedagens) e seus contras (é sempre uma correria pq não consigo tirar uns dias dedicados à prova). Mas no geral, é sempre uma festa que eu gosto muito de participar…

Obviamente, dado que já se passaram 6 meses da prova, a riqueza de detalhes fica perdida e já peço desculpas por isso. Prometo tentar publicar sobre as próximas provas ainda na semana que elas ocorrerem… Tenhamos fé… Rs

Essa prova foi a primeira prova organizada pela Unlimited Sports depois daquela confusão generalizada no 70.3 de Maceió onde o vácuo foi uma constante, todo mundo reclamou bastante e acabei comentando no último post que fiz…

A Unlimited ajustou os tempos de largada das categorias pra conseguir espaçar mais os competidores e tentar reduzir o vácuo… No final acho até que deu certo mas, como nada é perfeito, teve gente largando muito tarde… E com o sol que estava, e normalmente está, acaba sendo uma prova bem diferente… As meninas, como de costume, foram as últimas a largarem e, obviamente, as mais prejudicadas pelas condições climáticas.

Pré Prova

Aqui no Rio, pra mim, a alegria sempre é maior… A quantidade de conhecidos que encontro na hora de buscar o kit, de tirar foto no “mdot”, do congresso técnico, bike check-in etc é muito maior. E como reencontrar amigos é sempre bom, o dia vai ficando mais leve…

 

Race day

Swim

Sei lá o que me deu nesse dia que na hora da largada eu me posicionei lá na frente… Na realidade, acho que estava meio apreensivo com a condição do mar, fui lá na frente dar uma olhada e acabei ficando por lá. Na minha frente só tinha uma fileira de atletas…

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Minha largada foi a primeira. Atrás apenas da elite masculina e feminina.

O mar nesse dia estava se mostrando meio complicado mas na realidade a gente ainda não sabia que ia piorar muito quem largou mais tarde encontrou uma condição bem pior… Mais uma vez as meninas se ferrando…

Fiquei sabendo que mesmo na minha largada, onde o mar não estava tão ruim, teve gente que já desistiu na primeira onda. Elas nem estava tão gigantes nesse momento, mas tinha onda quebrando até a primeira bóia, que fica mais longe… Ou seja, tinha onda quebrando na sua cabeça durante praticamente todo o percurso da natação.

Também não sei por qual motivo, talvez instinto de sobrevivência, fiz minha melhor natação de 70.3 da vida.

Saí feliz quando vi o relógio e parti pra T1.

OBS: Quando saí da água vi algumas meninas no perrengue da largada… Olhei para o mar e me assustei um pouco…

T1

Nunca é tão rápida quanto eu acho que pode ser mas acaba que, no bolo que eu saio da água, sou até rápido e acabo ganhando umas posições… Rs

Bike

Eu juro que estava confiante em um bom pedal… Esse percurso tem características muito bem definidas: vento contra em direção à Barra, vento a favor em direção ao Recreio, subida dura mas curta da Grota Funda ida e volta e depois mais duas voltas até a Barra no esquema vendo contra indo e a favor voltando. Ahh, normalmente quanto mais tarde, mais vento…

Esse ano achei que tinha um pouco mais de vento do que no ano passado… O que atrapalha legal na ida e ajuda muito na volta, logo, não sei se faz tanta diferença assim no resultado final.

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Fato é que esse ano meu pedal foi um pouco pior do que o ano passado fiquei meio triste com isso quando entreguei a bike mas depois, analisando os dados, verifiquei que acabei fazendo um pouco menos de força mesmo…

Pro meu nível, não foi um pedal absurdamente ruim, mas eu tinha uma expectativa de fazer um pouco melhor… Vida que segue.

T2

Essa eu acho que já aprendi a fazer… Consigo descer rápido da bike e me manter correndo pra fazer toda a troca que precisa… Essa T2 especificamente achei bastante boa…

Run

Nessa altura da prova, umas 10h30min da manhã, o sol já fritava os miolos… Mas eu estava decidido a correr até quebrar. Esse é o lado bom de ser pangaré e nunca estar disputando nada: vc pode arriscar o que quiser pq não tem nada a perder… Rs

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Acabou que a corrida encaixou direitinho. Sempre tem uma diminuída de ritmo no meio da prova mas depois consigo voltar e terminar num ritmo legal.

Preciso encontrar uma maneira de me manter focado na prova o tempo todo. Ainda disperso muito nos pensamentos. De repente me dou conta de que aquilo é uma prova e volto a prestar atenção no que está ocorrendo… Poucas foram as vezes que consegui entrar num “estado de fluxo” onde nada interfere no que estou fazendo… Quando isso acontece, é certeza de uma excelente prova.

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No final, acabei fazendo tb a minha melhor corrida de 70.3 da vida e fiquei bem satisfeito.

Obviamente, sempre dá pra melhorar. Mas perceber que, mesmo aos poucos, estou em evolução, é muito gratificante. Se tem um conselho que posso dar pra quem está iniciando no esporte é: seja constante! A melhora vai vir. Não precisa de pressa.

Pós prova

O pós prova no Rio é sempre especial: ver a Lívia chegando bem e encontrar a família depois da linha de chegada é sensacional…

Depois disso o resto do dia é de resenha… Rs

Vamos em frente que já tô vendo a próxima prova…

O vácuo, o doping e outras trapaças…

9 de agosto de 2018 1 comentário

Nessa última semana as redes sociais ficaram em polvorosa com o tema vácuo!
É que aconteceu no último dia 05/08 o Ironman 70.3 Maceió e a única coisa que se fala sobre a prova é do vácuo. É uma treta no vácuo da outra… Rs

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Muitas pessoas nas redes sociais ostentando seu PB (Personal Best) e todas, sem exceção, sendo criticadas e crucificadas por isso. Muita calma nessa hora. A pessoa pode ter andado no vácuo? Claro que pode! Mas também pode ter jogado limpo e ter feito seu PB honestamente. Nada podemos concluir por fotos. Ou o árbitro penaliza durante a prova ou já era!

Eu fiz essa prova no ano passado e olha que incrível, é o meu PB da distância também. Você pode acreditar ou não, mas eu digo que fiz uma prova totalmente honesta e durmo tranquilo com isso.
A verdade é que esse 70.3 de Maceió é realmente uma prova muito rápida. Sem sombra de dúvidas, a mais rápida que já fiz.
Como ano passado foi a primeira edição, muita gente não sabia que poderia ser assim, e como é no Nordeste, muita gente achou que poderia ser parecida com fortaleza, onde todo mundo sofre muito. Quem foi, se deu bem, quem não foi, viu a festa e correu pra se inscrever nesse ano.

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Insira uma legenda

Mesmo ano passado, com bem menos gente na prova, no meu relato escrevi o seguinte:
No geral vi um pedal bastante limpo mas sempre tem aquele pessoal “malandro” que se garante na impunidade, não tem jeito. Com cerca de 50km de prova fui engolido por um pelotão que devia ter uns 15 caras embolados. Era tanta gente que pra eu conseguir frear pra sair do grupo tinha que tomar cuidado. Tinha gente na minha frente, atrás de mim, na minha esquerda e na minha direita. Paguei um esporro generalizado mas de nada adianta, infelizmente a impunidade compensa pra essa galera. Cheguei a chamar um árbitro e mostrar pra ele o grupo mas ele nada fez…

Esse ano, pelo que falaram tinha cerca de 50% a mais de atletas. Era óbvio que teríamos problemas com vácuo.

Sabe no que o vácuo interfere na minha prova? Em nada. Eu sou pangaré. Não disputo vaga pra mundial, não disputo pódio… A disputa é só comigo, então, na realidade eu estaria passando a mim mesmo pra trás??? Que doido!!!

Mas agora pensa no amiguinho que treina pra caramba atrás de uma vaguinha pra um mundial, atrás de um troféu pra colocar na estante… Imagina perder a vaga sabendo que os que levaram estavam trapaceando? Deve ser um sentimento de nojo absurdo… Que aliás, é o mesmo que eu sinto quando vejo acontecer com os outros… E a gente vê muito…

Já ouvi atletas assumindo que se beneficiam sim do vácuo durante as provas e consideram que estão cumprindo o regulamento. A lógica é: “se me pegarem, cumpro a punição de 5min e continuo, daí pra frente, não faço mais nessa prova pra não ser desclassificado.” É óbvio que se for pego no início do pedal, não valeu o risco mas se for pego no final, valeu muito. Se não for pego então…

O vácuo para mim é uma trapaça semelhante à pessoa que corta caminho, que pega um táxi durante a maratona ou que se dopa pra “aguentar o tranco”… E se no doping a punição deve ser exemplar (falei que deve ser, não falei que é), por que não no vácuo? É tudo trapaça!

Quem tiver interesse nos efeitos do vácuo pode dar uma lida aqui:
http://www.biketribe.com.br/quanta-energia-eu-posso-economizar-andando-no-vacuo-do-pelotao/
Que acaba depois de levando pra esse artigo aqui:
https://www.europhysicsnews.org/articles/epn/pdf/2013/01/epn2013-44-1p20.pdf

Na minha opinião, enquanto a mentalidade dos atletas não mudar, tem que ter um repressão forte mesmo:

  • Fazer uma fiscalização mais firme;
  • Trocar os 5min de punição por 20min (passa a não compensar tanto);
  • Acrescentar alguns kms a mais na corrida (pra cansar as perninhas dessa galera);
  • Acrescentar a lista dos punidos no resultado das provas (pras pessoas saberem quem é quem);
  • Não permitir que os punidos peguem vagas pra mundiais;
  • etc.

Resumindo, tem que pegar, punir de maneira significativa e mostrar quem foi punido.

Ahh, e já que citei o doping no título, acho que todos que sobem no pódio e/ou pegam vaga pra mundial deveriam deixar um pouquinho de sangue lá pra ser examinado… Tenho certeza que ninguém se dopa. É só pra calar a boca dos que insinuam isso por aí… Pq o doping, esse sim dá pra gente provar que aconteceu sem ter visto nada estranho durante a competição…

Sei nem pq acabei escrevendo tudo isso… Acho que foi o sentimento de nojo…

 

Ironman Lanzarote 2018 – A Prova

23 de julho de 2018 3 comentários

A ideia

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O Ironman Lanzarote tem a fama de ser o mais difícil da franquia e confesso que nunca tive muuuita vontade de ir lá conferir essa fama… Mas aí veio a Lívia falando que era a prova dos sonhos e já viu, né??? Lá fomos nós… Rumo ao “The thoughest in the World”!!!

Pela primeira vez íamos largar juntos em uma prova de Ironman e isso foi legal durante a preparação, que juro que vou tentar contar como foi em outro post… Rs. Durante a prova já não é tão legal assim, ainda mais num percurso como o de Lanzarote, onde o pedal é em uma volta única e só dá pra saber alguma coisa sobre o outro na etapa da corrida… É duro ficar tanto tempo sem notícias… Mas vamos ao que interessa…

A viagem

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A prova lá acontece no sábado e não no domingo, como a maioria dos Irons. Como não conhecíamos nada do local, chegamos com bastante antecedência, no domingo anterior à prova. Isso foi ótimo pq, em primeiro lugar, as bikes não chegaram junto com a gente e, com tanta antecedência, ficamos tranquilos de que chegariam a tempo da prova. Outra coisa interessante foi que tivemos tempo para percorrer todo o percurso do ciclismo para conhecer os pontos críticos (obviamente isso foi feito de carro), o percurso da natação e de corrida antes da prova.

Ahh, já ia esquecendo… Também fizemos turismo… Rs

O “Terrorismo”

Antes de falar da prova, vale ressaltar uma parte engraçada.
Fizemos uma conexão muito rápida em Madri para chegar até Lanzarote. Obviamente, nossas bikes não chegaram junto conosco no destino final.
No aeroporto de Lanzarote, enquanto tentávamos descobrir onde estariam as bikes, acabamos conhecendo um senhor francês que também estava lá para fazer a prova e, sem a bike igualzinho a nós…
Papo vai, papo vem, descobrimos que ele é frequente em Kona, ou seja, o cara é casca grossa. Lá pelas tantas ele acabou nos contando que seria a segunda vez dele em Lanzarote. A primeira tinha sido 10 anos atrás e ele prometeu que nunca mais faria pq a prova era muito dura… Meu Deus… Pra que ele disse isso??? Mas ok, deve ser exagero, eu pensei…

Depois da papelada preenchida no aeroporto fomos atrás do nosso carro alugado. Chegando na locadora, o rapaz que lá trabalha estava com um cordão do Ironman segurando o crachá…
Papo vai, papo vem, ele nos disse que tinha feito a prova no ano passado e que prometeu pra ele mesmo que nunca mais faria pq a prova era muito dura. Agora só faz em outros lugares do mundo… Desnecessário me falar isso… Rs

No dia seguinte, fomos numa loja de bikes e, conversando com o vendedor sobre o percurso que havia mudado para este ano ele acabou deixando escapar que esse ano o percurso seria bem mais difícil do que nos anos anteriores… Pra que ficar me falando isso???

Daí pra frente parei de falar sobre a prova… A ideia já era voltar pro Brasil… Rs

Pré-race

Fomos buscar os kits da prova logo na abertura do evento, quarta-feira. Aqui já dá pra ver uma diferença: o kit da prova vem dentro de uma mochila com vários brindes. Parece besteira mas fiquei todo bobo com minha mochila de Lanzarote…
Pra pegar o kit não teve nenhuma complicação: chegou, assinou, pagou a taxa obrigatória de 10EUR, pega o kit e vaza… Tinham umas bebidas no “esquema 0800” e aproveitei pra hidratar bem… Rs

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No dia seguinte teve o briefing e o jantar de massas.
O briefing é sensacional! Apresentado pelo incrível Kenneth Gasque, aqui são passadas as principais instruções da prova que vou repetir as 3 primeiras que são as que lembro:
1 – Segurança
2 – Segurança
3 – Segurança
Obvio que o briefing é uma coisa séria mas foi um momento de grande descontração que me fez acreditar finalmente que seria divertido fazer a prova.
Uma coisa que chamou nossa atenção foi a quantidade de pessoas que fazem a prova muitas vezes. Quando ele perguntou quem ali já tinha feito a prova mais de 10 vezes, foi assustador… E ao mesmo tempo, tranquilizador… Rs

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Em seguida do Briefing veio o Desfile das Nações. Cara, isso é sensacional! Eles chamam as crianças de alguma escola pra representar os países. Cada país tem uma criança carregando a bandeira e uma criança carregando a placa com o nome do país. Nem todo mundo participa do desfile. Éramos 5 brasileiros na prova e só eu e Lívia fomos para o desfile. Quem for fazer a prova, vale a pena fazer um esforcinho pra ir no desfile. É bem legal. Além disso, as crianças que representaram o Brasil eram espetaculares…

Depois, jantar de massas. É um banquete sensacional! Nada de só ter macarrão e molho. Tinha salada, pães, massas, carnes de boi, frango e peixe, sobremesas e sei lá mais o que… Comi muito… Rs

Na sexta-feira era hora de verificar se não tinha nada de errado com a bike, separar o material da prova e deixar tudo no bike check-in.
Como não tinha horário pré-estabelecido, optamos por ir no meio do horário. Não gosto de ficar muito tempo longe da minha bike e tb não gosto de deixar tudo pra última hora. Vai que dá algum problema. Aqui, nenhum problema. Como de hábito, staffs atenciosos e com boas informações sobre como as coisas vão funcionar.

Race day

Preparação

Manhã de prova e tem sempre aquele ritual todo que a gente já conhece… Numa coisa aqui a gente se deu bem. Pegamos um hotel muito perto da largada, logo, deu tempo de acordar, tomar café, ir pra transição, arrumar tudo o que faltava, verificar se a bike tinha passado a noite bem e voltar no hotel pros últimos ajustes… Rs
Perfeito!

Natação

Como de hábito, a parte mais tensa de toda prova, pra mim…
Mas aqui tinha alguma coisa diferente que estava me deixando extremamente tranquilo. O percurso da prova é feito em duas voltas de 1.900m cada. Tínhamos nadado nesse percurso de 1.900m duas vezes e, nas duas, eu fiz tempos melhores do que os meus melhores tempos de 70.3. Além disso, o mar é lindo, totalmente flat, pouquíssima correnteza… Tudo perfeito!!! Ops, quase tudo… A água é bem gelada… Mas eu ainda não tinha noção do quão gelada ela era…

A largada em Lanzarote é única. Não existe largada em ondas, ou seja, quase 2.000 pessoas largando de um corredor estreito ao mesmo tempo.
A ordenação da largada é feita por tempo previsto da natação: você declara o tempo que pretende nadar e recebe uma touca da cor que indique aquele tempo. Isso evita muitos atropelos de pessoas mais rápidas largando lá no final e vice-versa… Mas não evita todos…
Incrivelmente consegui pontuar direitinho nas provas que fiz no ano anterior e acabei ficando classificado no ranking AWA (All World Athlete) do Ironman na categoria Silver. Essa classificação me fazia ter uma touca diferente das outras (iguais a todos os AWA de qualquer categoria: Gold, silver e bronze) que me permitia largar lá na frente, de “faixa no peito”… Obviamente que eu tb poderia ir lá pro final e largar tranquilão, mas os treinos dos dias anteriores fizeram crescer a confiança e eu larguei lá na frente mesmo… O problema é que dos 2.000 participantes, pelo menos metade deles nadam melhor que eu, uns 500 devem nadar parecido e os outros 500 um pouco pior… Aí já viu…
Deu a largada Comecei a nadar e a apanhar ao mesmo tempo… Tudo junto e misturado… Pra tentar fugir um pouco da pancadaria, acabei optando por fazer os contornos das boias de vértice um pouco mais aberto, o que me fez nadar mais do que o necessário (normalmente já faço isso naturalmente por erro. Dessa vez foi consciente… hahaha).
Perto do final da segunda volta, comecei a sentir muito frio. Muito frio. Muito frio mesmo. Nesse ponto já não sentia direito as mãos e percebia claramente que os movimentos já não eram tão coordenados como deveriam ser… Meu pensamento era só de sair da água.
Terminei a natação com um tempo um pouco pior do que eu esperava, porém, não tão ruim. Já nadei melhor, mas poderia ter sido pior… Vida que segue!
OBS.: Nem todo mundo sentiu frio na prova. Sou friorento demais mesmo.

Conclusão: Não gostei!!! (Mas poderia ter sido ainda pior)

T1

Saí da natação meio atordoado que quando lembrei de apertar o “lap” do Garmin já estava dentro da tenda… (Pô, nadei mais mas não foi tanto assim como diz a distância do Garmin… Rs)
Eu tremia tanto que acabei fazendo uma transição muito lenta. Tirei a roupa de borracha e me preparei pra pedalar com toda a calma do mundo. Depois disso ainda esperei um pouco pq estava com medo de pedalar daquele jeito…

Conclusão: Ridícula! Acho que foi a T1 mais demorada de toda a minha vida. Pior até do que a do meu primeiro Iron. Lamentável!!!

Bike

Aqui começava o grande desafio, afinal, seriam 180km com +/- 2.500m de altimetria.
Comecei tentando pedalar forte pra esquentar o corpo e logo na primeira subida já estava suando, que delícia… Rs
O percurso tem raríssimas partes planas e nenhuma sem vento, mas é de uma beleza impressionante.

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Adesivo com a altimetria colado no meu aerodrink.

Na expo, no stand da loja Tribike Lanzarote, conseguimos uns adesivos que tinham a altimetria da prova e a localização dos Aid Stations. Sensacional! A todo momento eu sabia o que estava por vir e, acreditem, isso pode parecer assustador, mas é sensacional saber que, por exemplo, no topo do próximo morro tem um ponto de hidratação etc.
O segredo aqui, pelo menos pra mim, é ter paciência e executar à risca o plano de hidratação e alimentação que vc elaborou em conjunto com seu/sua nutricionista (que, diga-se de passagem, eu tenho a melhor…).
Errar no ciclismo, nessa prova, é a diferença entre terminar a prova ou não. Não tô nem falando de ficar bem colocado, tô falando em conseguir terminar mesmo… É um pedal duro!
Na maior parte do percurso o asfalto é muito bom.
Alguns trechos de descida são um pouco perigosos. Tem lugar que a impressão que dá é que se errar a curva, já era…
Enfim, o tempo e os kms foram passando e confesso, estava tudo muito bem, mas lá pelo km 120 dá uma certa vontade de largar a porra toda. Ainda mais quando vc percebe que ainda faltam mais 2 morros pra subir… Foco e paciência são as palavras de ordem…
A parte boa é que quando chega lá pelo km 170 vc percebe que, daqui pra frente, praticamente só desce…

Bike - Altimetria

Altimetria do percurso.

Chegar na avenida da praia, onde fica a transição é algo indescritível. Ali veio a sensação de que realmente eu ia cruzar a linha de chegada, afinal, só faltava correr a maratona… Rs
Terminei a pedal com um tempo um pouquinho melhor do que eu esperava e isso me surpreendeu. Inclusive vislumbrei a possibilidade de tirar a diferença de tempo que deixei na natação e na T1… Rs

Conclusão: Gostei!!! Numa próxima vez (quem sabe) dá até pra arriscar um pouco mais…

T2

Depois de 7h20min pedalando, as pernas não estão exatamente sob seu controle. Mas até que consegui fazer uma transição não tão ruim.
Só não gostei muito pq achei a entrada da transição muito estreita e, apesar de saber que ainda faço uma transição bem lenta, eu tento fazer o mais rápido que dá. E faço correndo, não andando. Saí passando pela areia com a bike levantada igual a um maluco… Acho até que fui xingado… Mas em espanhol eu finjo que não entendi e vida que segue… Rs

Conclusão: Não foi boa, mas também não foi ruim…

Run

Comecei a corrida me sentindo muito bem e com as pernas tranquilas… Tenho dificuldade em controlar o ritmo quando termino de pedalar e dessa vez não foi diferente. Mas não demorei muito pra ajustar o pace e continuar no programado.
O percurso aqui é em 3 voltas, a primeira de 21km e as outras duas de 10,5km. É a primeira parte da prova que vc consegue ver as pessoas indo e vindo pra lá e pra cá… E a primeira coisa que comecei a fazer foi procurar a Lívia. Ali eu ia conseguir saber se ela estava na prova ou não, se estava bem ou não, enfim, era a hora de ter alguma informação sobre a prova dela…

Quando eu estava +/- no km 5, finalmente consegui vê-la, no outro sentido, +/- no km 15. É impressionante a tranquilizada que dá ao saber que, dentro do possível, nada de muito ruim aconteceu, afinal, ela estava na prova…
Mantive um ritmo programado até quase o km 15, onde comecei a sentir o cansaço… Daí pra frente, comecei a alternar a corrida com pequenas caminhadas nos postos de hidratação. Fechei a primeira volta, de 21km, e mesmo com a diminuída de ritmo a partir do km 15, eu estava com o tempo de corrida dentro do planejado.
A situação na segunda volta foi bem mais complicada. Tinha uma parte que ventava tanto que as pessoas corriam em fila pra não tomar tanto vento de frente… O ritmo caiu muito na segunda e na primeira metade da terceira volta. Somente depois do último retorno é que consegui colocar novamente um ritmo legal e correr direto pra chegada.
Faltando uns 500m, a Lívia, que já tinha acabado, feito massagem, comido etc, estava me esperando para me entregar a bandeira do Brasil.
Um pouco antes de entrar no tapete eu já estava num sprint muito forte… Fui passando as pessoas de uma maneira que não sei explicar de onde tirei pernas. Entrando no tapete, coloquei a bandeira pra cima e vim correndo até o pórtico…
Aí veio mais uma vantagem da prova: a faixa de chegada fica lá desde o primeiro até o último atleta a cruzar o pórtico. Acho que foi daí que tirei as forças pra passar quem estava na frente, não queria que atrapalhassem minha foto com a faixa de chegada no peito… Rs

Conclusão: Foi um pouco pior do que eu pretendia mas não foi ruim.

Pós prova

Na chegada, a primeira coisa que fiz foi procurar uma manta térmica. Cheguei bem, mas com frio.
Daí pra frente é a rotina normal mas com tudo muito bem organizado: refeitório, ambulatório, massagem, retirada de camisa de finisher…
Eu realmente acho que gostei de tudo…

No final do dia (meia noite) voltamos para ver o encerramento. É sempre emocionante a vibração da torcida pela galera que tá chegando ali no limite do tempo. Foi de arrepiar…

Day after

Férias e turismo!!! Rs

Conclusão geral

Se você pretende fazer uma prova realmente desafiadora, faça Lanzarote! Garanto que não vai ter arrependimento.
Agora, se vc quer fazer uma prova pra conseguir um tempo baixo e poder tirar onda que fez sub 9h, sub 10h etc, foge daqui pq não é o lugar…

Futuro

Assim que terminamos a prova combinamos que vamos voltar pra fazer de novo. Não posso garantir quando mas vamos voltar. Só não volto todo ano pq é longe. (E a passagem cara!!!)

 

Tem muita coisa legal na viagem e na prova… Assim que der um tempinho faço um outro post com mais curiosidades… Esse já ficou gigante!!!

 

Ironman 70.3 Alagoas – A prova

22 de agosto de 2017 1 comentário

O Ironman 70.3 Alagoas chegou pra ficar!!!

Esta prova estava com todos os indicativos de que seria uma prova bem legal e rápida. Tudo isso se confirmou!

Pré prova:

Cheguei a Maceió no final da tarde de quinta e ainda consegui, na correria, buscar meu kit. Aqui já deu pra perceber uma grande vantagem dessa prova: é muito fácil (e não tão caro) se hospedar perto de onde tudo acontece. Ok, em Floripa também é possível, mas só pra quem tem muito dinheiro… Rs
Basicamente fiz tudo à pé. A pousada ficava a 5min de caminhada lenta até a expo, a largada, a tudo. Bem legal isso.
Na sexta pela manhã, depois de montar as bikes, saímos pra dar um rolé na expo e fazer social com os amigos… No final da manhã fiz uma sessão de massagem desportiva pra dar uma ajuda pras pernas. Eu estava me sentindo realmente muito cansado, com pernas pesadas demais e a massagem ajuda muito… Na parte da tarde, uma nadada de leve no local da prova seguido de um trote de 3km só pro corpo não esquecer pra que estava lá…
Sábado de manhã, hora de testar as bikes e acabamos descobrindo que uma roda da Líva não estava legal… Isso gera uma tensão mas, como no final tudo dá certo, conseguimos resolver tudo… 10h30 teve congresso técnico, depois disso almoço, descanso, bike check in e mais descanso.
Domingo pela manhã tudo dentro do previsto: depois aquela noite pré prova mal dormida de todo mundo fomos pra transição verificar se estava tudo ok e nos preparar pra largada. Tudo certo e lá vamos nós!!!

A prova:

Swim:

Não sei o que aconteceu comigo mas eu estava bem confiante pra essa natação. Ainda não me sinto confiante o suficiente pra largar lá na frente mas já evoluí muito nesse quesito…
Quando tocou a buzina mantive a concentração e parti pra dentro.
O meu grande problema na natação é que não consigo ter ideia do ritmo que estou nadando. Nado os 750m de uma short no mesmo ritmo que nado os 3.800m de um Ironman. Essa é minha natação! Só sei se nadei legal quando coloco os pés no chão e olho o relógio.
Dessa vez, quando isso aconteceu, vi que nadei mais rápido do que eu esperava e isso foi sensacional. Indescritível!

Resumindo: Fiquei feliz demais com minha natação! Foi minha melhor natação de um 70.3!

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T1:

Agora já virou hábito: fiz a T1 correndo!
Minha T1 só não foi nota 10 pq eu não consegui passar direto pelo banheiro sem parar pra fazer xixi… Rs

Bike:

Eu não conhecia o percurso mas já tinham me dito que era plano, logo, a ordem era abaixar a cabeça e pedalar… E foi isso que eu fiz. Eu também estava confiante no meu ciclismo…
No geral vi um pedal bastante limpo mas sempre tem aquele pessoal “malandro” que se garante na impunidade, não tem jeito. Com cerca de 50km de prova fui engolido por um pelotão que devia ter uns 15 caras embolados. Era tanta gente que pra eu conseguir frear pra sair do grupo tinha que tomar cuidado. Tinha gente na minha frente, atrás de mim, na minha esquerda e na minha direita. Paguei um esporro generalizado mas de nada adianta, infelizmente a impunidade compensa pra essa galera. Cheguei a chamar um árbitro e mostrar pra ele o grupo mas ele nada fez…
De qualquer maneira, esses caras acabam te fazendo evoluir, pq a raiva fica tão grande que vc faz até a força que não tem pra fazer…
Durante o pedal fez sol, chuva, calor, frio, vento contra, vento a favor, uma doideira… Mas nada disso atrapalhou, foi um pedal bem rápido.

Resumindo: Fiquei bem feliz com esse pedal. Foi meu melhor pedal em um 70.3!

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T2:

Essa transição eu já tenho bem organizada na minha cabeça. Dessa vez pulei da bike com tanta vontade que o staff que pega a bike pra gente quase deixou ela cair (não foi culpa dele, aloprei mesmo). Quase que eu tb caí entrando na transição (já à pé) pq não diminuí a velocidade… Rs. Preciso me controlar mais aqui… Rs

Run:

Aqui vinha a minha grande preocupação. Depois do desgaste da sequência Ironman BrasilMaratona do Rio, minha corrida não vinha encaixando. Isso estava me deixando chateado pq eu tinha corrido legal nas duas provas e queria continuar surfando nessa onda mas parecia que eu tinha passado do ponto e estava cansado demais…
Só que na hora da prova, se vc deixar esses pensamentos de lado, as coisas acontecem.
Comecei a corrida um pouco mais forte do que deveria e isso foi logo corrigido nos kms seguintes. Eram 3 voltas de 7k e no final da primeira comecei a sentir o cansaço. A segunda volta foi num ritmo um pouco mais lento, quase no modo sobrevivência… Rs. Só que chega uma hora que vc percebe que tem um pouco a mais pra dar… Na última volta consegui voltar a um ritmo legal e da metade dela pro final, encontrei um conhecido que, ao me ultrapassar, me chamou pra ir junto. Foram 4km num pace que sozinho eu jamais ousaria tentar. A cabeça não me permitiria mas ficou provado que o corpo aguenta.
Ouse!

Resumindo: Feliz pra caramba com minha corrida. Foi minha melhor corrida de 70.3!

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No final das contas consegui melhorar muito meu tempo de 70.3 com minha melhor natação da distância, meu melhor pedal da distância e minha melhor corrida da distância, tudo junto numa prova só. Sensacional!!! E sim, tô bem feliz!!!

Vamos em frente que o ano ainda não acabou…

Ironman Brasil 2017 – A Prova

13 de junho de 2017 3 comentários

Que dia!!! Se eu tivesse que resumir meu 28 de maio de 2017 em duas palavras, seriam essas.

Finalmente chegou a principal prova do ano. Obviamente farei outras provas até o final do ano mas, sem sombra de dúvidas, essa era a principal de 2017. Provavelmente (diria até que certamente) esse será o único Ironman “completo” de 2017, mas a gente nunca sabe o que pode vir por aí… Vai que…

Pré prova

Cheguei em Floripa com bastante antecedência, no início da tarde de quarta-feira antes da prova. Isso é tempo suficiente para superar qualquer contratempo que possa ter ocorrido na viagem: extravio de malas, problemas na bike, sei lá… Só sei que um Ironman requer muita dedicação pra que tudo seja colocado a perder de bobeira.
Além disso, chegar na quarta-feira me permitiria finalmente fazer o treino de natação com as boias do percurso que tradicionalmente ocorre na quinta pela manhã. No meu primeiro Iron já cheguei depois desse treino e no segundo estava meio adoentado e preferi não piorar a situação.
Nesse ano, nada de contratempos. Na quarta-feira mesmo peguei meu kit e montei a bike para me certificar de que estava tudo correto.
Quinta-feira fui de manhã cedo para o local do treino e realmente é neste dia que a festa começa. Boa parte dos atletas já está em Floripa para a prova e a energia da galera é contagiante. A energia, a tensão, as dúvidas… Tudo é contagiante… Rs
As boias ficam no percurso de 10 às 12h e acabei começando o treino bem tarde batendo papo e esperando o pessoal da equipe para iniciarmos juntos. Só iniciar mesmo pq não consigo acompanhar ninguém…
Nesse dia estava ventando um pouco e o mar ficou bem mexido e com uma correnteza considerável…
Achei bem complicado pra chegar na primeira boia e acabou que quando cheguei a equipe que estava recolhendo as boias já estava no local. Pensei em pegar carona no jet ski pra voltar mas acabou que o retorno estava bem mais tranquilo do que a ida… Treino de natação feito!
A verdade é que a condição do mar não me deixou muito tranquilo para a prova. Daquele jeito, o desgaste na natação seria muito maior do que o esperado, mas vida que segue…
Na parte da tarde fiz um treino de ciclismo e pude verificar que estava realmente tudo ok com a bike. Só o vento que tinha aumentado bastante e me sacudia muito com umas rajadas laterais. Isso por 180km tb faz com que a prova seja meio tensa…
Sexta-feira e logo cedo fui para a “Cidade Ironman” assistir ao simpósio técnico. Depois disso meu único compromisso era um treino de corrida curtinho em ritmo de prova…

Bike check-in

O compromisso do sábado é o bike check-in.
Cada um no seu horário, temos que deixar lá nossa bike e as sacolas de ciclismo e corrida com os materiais que vamos utilizar na prova.
Meu horário era de 15 às 16h e justamente por volta das 15h a chuva resolveu dar uma trégua. Minhas coisas nem estavam totalmente organizadas mas fui alertado pela Lívia que a chuva tinha parado e saímos em disparada pro check-in… Mal acabei de entregar a bike e a chuva voltou com tudo. Uma mistura de sorte com o alerta da Lívia me salvaram de ficar em pé na chuva durante um bom tempo…
4_m-100764286-DIGITAL_HIGHRES-1897_002491-7936798Ahh, é no bike check-in que pegamos o nosso chip da prova.
Depois disso foi fazer uma social na Expo com os amigos e voltar pro hotel pra descansar…

Race day

Área de Transição

Acordei cedo, tomei café e fui com bastante antecedência pra área de transição.
Neste momento temos acesso à bike e às sacolas de ciclismo e corrida para organizar alguma coisa que tenha ficado faltando. Além disso entregamos aqui nossas sacolas de “Special Needs” de ciclismo e corrida.
Como já tinha deixado tudo praticamente pronto na véspera, apesar da correria pra não pegar chuva, nessa manhã a única coisa que precisei fazer foi checar se os pneus da bike estavam calibrados, ajeitar a comida, prender as sapatilhas na magrela e rezar. Estava tudo pronto só faltava largar…

Swim

Pra quem já fez ou assistiu a prova em Floripa sabe como é aquela caminhada da transição até a largada da natação… 2.500 atletas caminhando em ritmo lento, com poucas palavras e buscando um pouco de concentração… É neste momento que eu tento agradecer a Deus por estar ali e pedir pra que, no final do dia, eu e os outros 2.499 atletas estejamos tão saudáveis quanto no início.
Diferente da quinta, o mar estava liso, nada de ondas, nada de correnteza, um espetáculo. Só de olhar, já me deu uma tranquilizada sensacional…
Esperei pacientemente minha largada (mentira, queria largar logo e estava com paciência zero).
Às 7h10min tocou a buzina da minha largada. Entrei com calma no mar pra tentar evitar aquela trocação de socos mas foi inevitável… Pela primeira vez num Ironman eu nadei o tempo todo me estapeando com alguém. E olha que nos dois anteriores ainda não tinha largada em onda, era todo mundo largando junto…
Uma coisa que este ano foi diferente pra 2015 (parece que 2016 já teve também) foi que colocaram algumas boias intermediárias e isso evita que se perca muito o rumo, principalmente pra quem é um mestre da navegação errada como eu.
Nadei a primeira parte e quando dei a volta na areia percebi que estava com um tempo legal (ok, os caras que sabem nadar terminaram a natação mais rápido que isso, mas eu não sei) e isso foi um ponto positivo pq a segunda parte é menor que a primeira. Esse foi o primeiro indício de que eu teria um dia legal (Não tô falando dos tempos pq no fundo acho que isso é o que menos importa pra um atleta amador do meu nível, o importante é fazer a prova se divertindo e competindo comigo mesmo).
Entrei na água novamente e terminei a segunda parte tb num ritmo que considero bem legal pra mim.
7_m-100764286-DIGITAL_HIGHRES-1897_008747-7936801O mais incrível de tudo foi a distância que nadei: 3.823m. INCRÍVEL!

Resultado: Fiquei muito feliz com a natação!

T1

Saí da natação certo de que teria um bom dia. Corri por todo o percurso da praia até a tenda de troca, fazendo uma transição que nunca tinha imaginado fazer em Floripa. Correndo o tempo todo.
Ainda dá pra melhorar, mas tô feliz pra caramba tb.

Bike

Acho que a bike era minha maior incógnita pq a minha natação sempre é ruim (essa não foi tanto, mas as condições ajudaram) e eu estava bastante confiante pra correr, mas pra pedalar, apesar de ter consciência de que meu pedal evoluiu bastante, eu achava que estava com pouco volume. A opção era “pagar pra ver”…
Nas provas anteriores que fiz aqui pude perceber que a primeira volta sempre tem menos vento que a segunda. Acabei fazendo minha estratégia pensando nisso.
A ideia era fazer a primeira volta forte o suficiente pra pegar o menor tempo de vento possível, mas não tão forte a ponto de quebrar na segunda volta e ver esse tempo indo pelo ralo. Acho que foi uma estratégia acertada, apesar de ter sido um dia com pouquíssimo vento na Ilha da Magia.
Comecei bem, me alimentei e hidratei quase da maneira que planejei e fiz a primeira volta muito bem.
Aspas para o comentário sobre o retorno. Cara, é sensacional aquele retorno dos 90km. Temos um trecho de uns 5km com muita gente torcendo. Nessa prova em especial, que fiz com o uniforme da BR Esportes, minha assessoria, os parentes, amigos e conhecidos de qq atleta da assessoria gritavam para todos com aquele uniforme. Éramos 68 atletas da BR na prova e a torcida era imensa. Passei esses +/- 5km fazendo toda a minha força e, por consequência, ganhando várias posições (ok, eu as devolveria logo ali na frente, mas…). Enfim, ouvir um “Bora BR” dá um ânimo que eu jamais tinha experimentado antes.
12_m-100764286-DIGITAL_HIGHRES-1897_022451-7936806Na segunda volta, fui um pouco mais cauteloso. Estava chovendo o dia inteiro, portanto, o chão estava escorregadio, com algumas poças e vários buracos “encobertos” pela água. Isso fez o pedal, pelo menos no meu caso, ser um pouco mais tenso do que de costume.
Faltando uns 30km o cansaço bateu com força. Nessa hora comecei a duvidar se conseguiria correr…
Não era hora pra pensamentos negativos e tentei voltar o foco pro pedal.
Terminei num tempo muito perto do que esperava. Estratégia cumprida com excelência.

Resultado: fiquei muito feliz com meu pedal!

T2

Com a chuva caindo, fiz uma T2 um pouco mais lenta do que poderia, mas foi por opção.
Entreguei a bike e corri pra tenda. Por mais incrível que isso possa parecer, as pernas estavam leves.
A demora ocorreu pq optei por encharcar meu pé de vaselina pra evitar as bolhas. O dia inteiro com o pé molhado e sair pra correr 42km é bolha na certa…
Mesmo demorando um pouco mais, fiquei satisfeito com a T2 tb…

Run

Aqui veio a grande, enorme, mega cereja do bolo.

Ok, eu me sentia confiante pra correr antes da prova mas quando comecei, parecia que eu estava ainda mais confiante na minha corrida.
Coloquei um ritmo que certamente não conseguiria sustentar por 42km mas sei lá por que, decidi que iria nele até onde conseguisse.
Em cada ciclo de treinos pra uma prova grande (meia, maratona, 70.3, Ironman etc) a gente tem muitos aprendizados. Por mais experiente que sejamos, a gente sempre aprende alguma coisa. Nesse ciclo a grande lição foi a que vale a pena arriscar. Sempre tive muito medo de forçar demais e ficar pelo caminho. Nesse eu resolvi que eu ia correr até quebrar. E se isso acontecesse, dane-se, mesmo que eu tivesse que caminhar o resto da prova. Eu fui! E fui até o final.

Se você pensa que pode ou sonha que pode, comece. Ousadia tem genialidade, poder e mágica. Ouse fazer e o poder lhe será dado.
Goethe

Óbvio que lá pelo km 30 deu uma desanimada, mas foi a hora que começou a escurecer e acho que todo mundo desanima um pouco essa hora. Foi uma coisa bem passageira, logo em seguida retornei pra um ritmo legal e ainda tive fôlego pra “sprintar” no final…

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Lívia e Marcos correndo comigo os últimos metros

Não tenho palavras pra descrever o quão feliz eu fiquei. No final eu já estava tão emocionado que foi inevitável o choro. Sim, eu sou chorão e quando a gente tem um dia perfeito, não dá pra resistir…

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Muito obrigado aos amigos que torceram por mim, em especial ao Damião, que deve ter ficado rouco de tanto me gritar e torcer na prova, aos que me ajudaram na preparação e à Lívia (nossa, essa eu não tenho palavras pra agradecer), que além de me incentivar pra caramba, passou o dia todo na chuva acompanhando a prova. Parece besteira mas eu sei o quanto é cansativo acompanhar uma prova dessas in loco, ainda mais quando a nossa vontade mesmo é estar fazendo…

Muito obrigado, baixinha!!!

Vamos pra próxima!!!

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