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Ironman Brasil 2013 – O video

15 de dezembro de 2013 13 comentários

Muito tempo passou mas só agora tive tempo de reunir todas as imagens que tenho do Ironman.

Reunir, selecionar, agrupar, cortar, colocar música, apagar tudo, fazer tudo de novo etc.

Acabou saindo um videozinho de 3min13seg que eu acabei assistindo muitas vezes. Muitas mesmo! Algumas durante o processo de edição e muitas outras depois que ficou pronto.

O fato é que em TODAS as vezes. Isso mesmo, TODAS, eu me emociono no final. Acho até que fico mais emocionado vendo o vídeo do que fiquei na hora da chegada.

Pra quem acompanhou toda a minha “saga” durante a preparação pro primeiro Iron, acho que vale a pena gastar 3min pra ver o vídeo. Pra quem não acompanhou acho que também vale, afinal, 3min passam muito rápido. Pra quem não sabe nem o que é um Ironman vale mais ainda gastar esse tempo. Reparem que tudo começa de noite e quando acaba, já está de noite novamente…

Certamente voltarei lá algumas vezes pra fazer essa prova!

Chega de papo.

E aí, gostou? Se empolgou pra fazer um também?

Eu me arrepiei mais uma vez… rs

Ironman Brasil 2013 – A Prova

12 de junho de 2013 11 comentários

Já aviso logo que ficou grande. Pensei até em dividir em 3 partes mas acabei decidindo por colocar inteiro… Tem fotos pra ir distraindo e deixando a leitura menos “pesada”. rsrsrs.

O GRANDE DIA

Enfim chegou o dia da prova. Praticamente 1 ano após ter feito a inscrição e cerca de 1 ano e meio após ter tomado a decisão de fazer, lá estava eu, levantando às 4h da madrugada, sem ter dormido praticamente nada, pra enfrentar, provavelmente, a prova mais dura que já fiz, o Ironman!

Incrivelmente estava muito tranquilo. A véspera, dia do bike check-in foi bem mais tensa…

Tomei um banho, comi alguma coisa, peguei minhas sacolas (branca, verde e vermelha) e parti pra Jurerê.

Com algumas ruas já interditadas o carro ficou longe e foi uma caminhada demorada até a entrada da transição. Chegando lá, as sacolas verde e vermelha (special needs) ficam na entrada e você tem acesso à sua bike e às suas sacolas azul e amarela.

Com toda a calma do mundo, prendi minhas sapatilhas à bike, resolvi, de última hora, levar outra câmara ao invés de deixá-la no special needs e assim o tempo foi passando. Tudo pronto fui me trocar. Coloquei tudo que não usaria durante a prova na sacola branca, que é deixada junto com a azul, vesti minha roupa de borracha e iniciei a também longa caminhada até a largada.

Indo pra largada ainda de noite

Indo pra largada ainda no escuro. Eu sou o mais sério. rsrsrs.

Apesar de eu estar relativamente tranquilo, rola todo um clima meio tenso. Durante a caminhada procurei me concentrar no que fazer na prova mas é tudo muito complicado. Uma imensidão de novidades, 2.000 atletas, muito mais do que isso de torcedores e eu caminhando… Caminhando e pensando o por quê de eu estar ali… O por quê de aquelas boias que eu teria que contornar estarem tão longe… O por quê de eu ter passado os últimos 5 meses da minha vida preocupado com esse dia… Por que? Por que?

Chegando próximo à entrada, a sensação é de que estamos indo realmente pra uma batalha. São beijos e abraços de despedida como se aqueles pudessem ser os últimos momentos. Pais se despedindo dos filhos, filhos se despedindo dos pais, maridos se despedindo das esposas e esposas se despedindo dos maridos…

Alguns atletas sorrindo e outros visivelmente tensos. Alguns até sorrindo de tensão…

Concentração antes da largada.

Concentração antes da largada.

Os últimos momentos antes da largada são realmente inenarráveis…

Até então, no céu, só a Lua como testemunha… Aos poucos, o Sol começa a nascer e percebe-se que o momento da largada está chegando.

O narrador dá as últimas instruções, deseja boa sorte, fazemos um minuto de silêncio em homenagem aos atletas que infelizmente nos deixaram durante a preparação para este dia e finalmente diz estar torcendo para que todos retornem bem à linha de chegada até a meia noite. É realmente de arrepiar…

Logo após um “silêncio ensurdecedor” toca a buzina da largada. Toca e fica tocando por muito tempo…

14 - Tocou a buzina

Largada

NATAÇÃO

Nessa hora, esqueci de todas as dificuldades que passei durante os treinos e depois de cerca de 1min eu estava entrando na água e dando as primeiras braçadas…

Largada

Largada

A natação, nesta etapa, é feita no formato de um M, da direita pra esquerda e com a primeira perna um pouco maior do que a segunda.

Estranhamente mirei na primeira boia, que fica a 1km da largada (perpendicular à praia) e praticamente não tive problemas de navegação. Incrível!!!

Vale uma observação: A natação do Ironman é a coisa mais violenta da qual já participei. Nem nos meus tempos de judô eu apanhei e bati tanto assim.

Após contornada a primeira boia, que vista da praia tem uns 2cm e quando vc chega nela tem 5m de altura, rumei forte pra segunda e aí veio a primeira crítica à organização: não tem nenhuma referência boa na areia pra indicar o retorno. Os salva vidas ficavam na segunda boia gritando pros atletas mirarem no morro. Isto mesmo, mirar num morro que tem lá no fundo… Acabei chegando na praia sem maiores problemas e passando pela areia, não resisti e olhei pro relógio: 45min pra fazer a perna mais longa. Fiquei feliz e percebi que mesmo piorando um pouco na segunda perna, minha previsão de nadar em 1h45min seria facilmente alcançada.

Na segunda perna, entrou uma correnteza estranha que acabei achando que estava demorando muito pra chegar na 3ª boia quando finalmente consegui chegar, fiz a curva passei pela 4ª e mais uma vez salva vidas gritando pra mirar na tenda branca (detalhe que a tal tenda branca ocupava uns 100m de praia. É pra mirar em qual parte dela???). Nesse retorno à areia, a dúvida da direção somada à correnteza que estava cada vez mais forte, me deixaram bastante irritado. Acabei saindo da água meio chateado mas quando me dei conta de que tinha feito a natação toda em 1h25min. Fiquei tão empolgado que depois de tirar a roupa de borracha dei até uma corridinha até a tenda de troca…

Correndo pra T1

Correndo pra T1. Eu sou aquele ainda de touca na cabeça.

No final das contas, fiquei feliz com minha natação.

Percurso da natação

Percurso da natação

T1

Contrariando minha previsão, cheguei bem na T1 e fiquei mais animado ainda quando percebi que a área de troca estava lotada. Isso queria dizer que eu estava “no bolo”… É péssimo quando vc sai da água e sua bike está praticamente sozinha na transição.

Fiquei tão animado que acabei relaxando demais… Me dei ao luxo de secar os pés pra calçar as meias enquanto a maioria nem usa meias… Fato é que demorei bastante na T1 mas, pelo menos, não esqueci nada e nem deixei cair nada pelo caminho. Minha maior preocupação era com a alimentação e fiz questão de fazer tudo com bastante calma…

No total fiquei cerca de 11min na T1.

PEDAL

Sai pra pedalar e só pensava em uma frase: “Contenha-se na primeira volta porque a segunda vai ser muito dura!”. Todos com quem conversei nos últimos dias repetiram essa frase pra mim. Todos mesmo.

Saindo da T1

Saindo da T1. Eu sou o que está com a roupa do Brasil (BR).

O início do pedal é meio complicado. O primeiro trecho, na Avenida Búzios, é cheio de quebra-molas e, logo em seguida, passamos pra uma parte de paralelepípedos. Impossível não ficar pensando “tomara que minhas rodas não quebrem aqui” o tempo todo. Isso faz com que, naturalmente, o comecinho do pedal seja muito lento. Comecinho mesmo, isso deve ter, no máximo 2km, mas é meio estressante.

Logo a seguir pegamos a estrada e, salvo em alguns trechos bem esburacados, dá pra pedalar sem muito estresse.

Pedalando

Pedalando

Minha ideia inicial era de fazer o pedal em cerca de 6h. Com os conselhos recebidos, acabei não forçando muito a barra e fiz a primeira metade em 3h05min aproveitando pra “conhecer” o percurso e logo percebi algumas subidas que, certamente, fariam minhas pernas pesarem na segunda volta.

Agora era a hora de socar a bota pra fazer em 2h55min. Pois é, mas a segunda volta é, como todos me disseram, muito dura. Muito mesmo. Até agora não consegui concluir se era melhor ter pedalado forte a primeira já que a segunda seria dura de qq maneira…

De repente apareceu um vento chato que fica sempre te segurando que começou a me irritar. Somado a isso tem o fato de eu já estar sobre a bike a mais de 3 horas e todo o desgaste físico e psicológico.

Fato é que apesar de não ter sofrido em nenhum momento e muito menos ter pensado na possibilidade de desistir, o pedal acaba sendo uma coisa meio monótona. Foram 6h30min praticamente sem falar com ninguém. Digo praticamente pq no final das duas voltas consegui alcançar grandes amigos e pudemos trocar uma ideia por alguns poucos minutos. É bom falar com alguém depois de tanto tempo só pensando…

Deu até pra bater um papo rápido...

Deu até pra bater um papo rápido…

Praticamente não tive problemas durante o pedal. Nenhum problema mecânico, nenhum pneu furado, minha comida toda estava lá na bike pra quando eu quisesse comer e ainda tinha alguma coisa na sacola do special needs que simplesmente ignorei por absoluta falta de necessidade. Obviamente estou desconsiderando o vento quando digo que nada me atrapalhou, o vento estava lá pra todo mundo.

Foi tanto tempo pedalando que deu tempo de fazer ultrapassagens:

Fazendo ultrapassagens

Fazendo ultrapassagens

Sorrir pra câmera:

Sorrindo

Sorrindo

Pedalar sozinho:

Pedalando sozinho

Pedalando sozinho

E até arrastar esse gordinho ai e o amigo dele por cerca de 10km:

233802

Aqui cabe outra observação: Essa prova, como todos sabem tem o vácuo proibido. É impressionante como as pessoas gostam de burlar as regras. Esse rapaz que aparece nessa foto ficou na minha roda por cerca de 10km justamente no maior trecho de vento contra que tinha. Isso me irritou tanto que cheguei a gritar com ele em alguns momentos. O problema é que se um fiscal percebe o que ele está fazendo, eu recebo a punição junto. Ainda bem que isso não aconteceu pq se eu fosse parado, certamente o gordinho ia escutar muito… Consegui me livrar dele dando uma forçada gigante logo antes de uma subida e ele, obviamente, não teve pernas pra acompanhar… Se tivesse não ia precisar ficar na minha roda… Só pra constar, o pedal do gordinho foi em 7h30min, 1h a mais do que eu).

Enfim, depois das 6h30min cheguei na T2 e aí, já não tão satisfeito com os 30min extras…

Término do pedal meio enfurecido

Término do pedal meio enfurecido

Esse aí foi o percurso da bike, essa voltinha aí tem 90km, logo, foram duas:

Percurso do pedal

Percurso do pedal

T2

Mesmo chegando uma pouco mais tarde do que esperava, fiz outra transição com toda a calma do mundo. Dessa vez troquei as meias… rsrsrs. Lembra quando disse que a maioria nem usa meias??? Pois é, eu até troquei as minhas do pedal pra corrida… rsrsrs

Comi tudo o que tinha pra comer e passei pelo banheiro antes que minha bexiga explodisse.

Gastei uns 9min.

CORRIDA

Saí da transição ainda comendo. Como já falei, a alimentação era minha maior preocupação. Muita gente boa fica se arrastando porque errou na alimentação da prova.

Início da corrida

Início da corrida

Foi difícil segurar o ritmo nos primeiros quilômetros. Eu sempre acho difícil segurar o ritmo da corrida quando acabo de pedalar. O problema é que isso não é sustentável. Eu sei que ali na frente vou quebrar mas é difícil reduzir a velocidade. Corri os primeiros 3 km na casa de 5:40min/km, pace que eu não conseguiria manter nem se fosse só pra correr a Maratona, muito menos depois de ter nadado e pedalado tudo isso… Aos poucos consegui colocar um ritmo que julguei ser sustentável de 6:15min/km. Julguei errado! Acho até que seria possível não fossem as subidas pra Canasvieiras…

Lá pelo km 8 ou 9 começam as subidas. Nem são muito longas mas são tão íngremes que, pelo menos no meu campo de visão, não tinha ninguém correndo. Todos sobem andando e, por mais incrível que isso possa parecer, ganha-se tempo com essa caminhada, mas não eu. São umas 3 subidas na ida e temos um retorno com quase 14km voltamos e encaramos as 3 subidas novamente antes de fechar a primeira volta de 21km (a prova tem 1 volta de 21km e duas de 10,5km que essas, graças a Deus, são 100% planas). Era uma coisa tão íngreme que andei nela até na hora de descer pq fiquei com medo de cair.

Caminhando nas subidas

Caminhando nas subidas

Mas porque no meu caso a andada me “atrapalhou”? Atrapalhou porque achei que conseguiria voltar a correr “normalmente” depois e não consegui. Acho que o corpo percebeu que mesmo se eu fosse engatinhando eu chegaria ao final da prova muito antes das 17h de limite. Do km 22 ao 36 foi uma anda e trota que, sinceramente, me encheu a paciência. Começava a trotar e aos poucos, meio que automaticamente, ia diminuindo até iniciar a caminhada… Quando me dava conta de que estava andando, começava a correr novamente e isso se repetiu até o km 36… Resumindo: O corpo relaxou!

Quando começa a escurecer bate um certo desânimo. O número de atletas começa a diminuir pq muitos já estão completando a prova, o número de torcedores começa a diminuir, a temperatura começa a diminuir (estava com tanto frio que parei 6 vezes durante a corrida pra fazer xixi), sua paciência também começa a diminuir e assim vai a prova caminhando pro final…

Anoiteceu e eu ainda estava correndo

Anoiteceu e eu ainda estava correndo

Mais uma observação sobre a quebra de regras: O regulamento fala que é proibida a ajuda externa e durante a corrida é impressionante o número de atletas que utiliza ajuda externa, várias pessoas de assessorias andando de bicicleta pelo caminho distribuindo pros seus alunos desde água, passando por frutas e chegando até a suplementos… Pra que isso? Durante a corrida passamos 3 vezes pelas sacolas de special needs, os postos de hidratação ficam a cerca de 2km um do outro e tem de tudo neles: água, gatorade, refrigerante, banana, gel, sopa e pão. Gel, sopa e pão só em alguns e a sopa só depois das 17h. Ou seja, é só pelo prazer de burlar as regras… De querer ser mais esperto e se dar bem…

Voltando à corrida, ao frio e à sopa, não consigo tirar da cabeça a cena que passei: Já tinha escurecido e eu estava com bastante frio quando passei por um posto de hidratação e uma das staffs, muito simpática me pergunta: “Quer uma sopinha?”. Caramba, quando olhei praquele copinho soltando fumaça nem pensei duas vezes e peguei. Quando ia tomar ela abre um sorriso e complementa: “E um pãozinho, aceita?”. Noooossa, olhei pra mesa e tinha uma bandeja enorme de pãezinhos Bisnaguinha. Passei a mão em dois e fui caminhando tomando a sopa e comendo as bisnaguinhas. Que felicidade!!! Rsrsrs Daí pra frente, todo posto que tinha sopa eu mandava pra dentro um copo de sopa com duas bisnaguinhas… Isso me deu um up incrível.

Fiquei tão bem que, a partir do km 36 imprimi um ritmo de corrida na casa dos 6min/km novamente e fui reduzindo até cruzar a linha de chegada com pace já na casa dos 5:30min/km.

Faltando cerca de 500m comecei a pensar que tinha que passar sozinho na linha de chegada pras fotos ficarem boas… rsrsrs. Olhei pra frente e tinham 3 atletas bem lentos. Obviamente resolvi passá-los. O primeiro deles estava trotando bem lento e não ofereceu reação, a segunda era uma mulher que também estava bem lenta o terceiro é que foi impressionante. O cara caminhava e, quando foi ultrapassado começou a correr e me alcançou novamente. Uns 30 metros depois ele parou e voltou a caminhar… Achei que estivesse no papo mas de repente o cara veio alucinado, me passou e depois disso só consegui vê-lo pelas fotos da chegada… Impressionante!!!

Foi esse aí que me ultrapassou faltando 300m pra chegada.

Foi esse aí que me ultrapassou faltando 300m pra chegada.

Bom, pelo menos consegui sair sozinho na foto da chegada…

Chegada

Chegada

Consegui concluir a corrida em 5h13min e meu planejado era pra fazer um pouco abaixo das 5h, mas…

Esse aí foi o percurso. Esse “apêndice” pra direita só é feito na 1ª volta. São as terríveis subidas pra Canasvieiras…

Percurso da corrida

Percurso da corrida

Caramba, como acontecem coisas em 13h30min!!!

Depois da chegada e da massagem

Depois da chegada e da massagem

Em resumo, foi uma prova fantástica! É um dia de diversão completa. Não sofri e muito menos pensei em desistir em nenhum momento.

Essa é minha.

Essa é minha.

Não se pode negar que tem uma energia muito boa e um astral diferente de todas as outras provas de que já participei. Certamente voltarei pro Ironman, possivelmente pra Floripa, mas não em 2014. Quero um ano treinos sem compromisso. Sem aquele estresse todo de ter que acordar às 04h30min de sábado pra ir pedalar e às 06h de domingo pra correr, sem contar as 3 vezes na semana às 5h30min pra nadar… Vou ficar 1 ano nas provas menores…

Quero treinar por prazer, não por obrigação, mas treinar pro Iron se torna obrigação. É praticamente uma questão de sobrevivência: ou treina ou morre! Em 2015 quero repetir essa experiência, já com o lastro de 1 Iron completado e mais 1 ano de treinos… Vamos ver no que vai dar…

Ahh, existe uma remota possibilidade de eu fazer um Iron em 2014 mas isso vai depender de onde a Latin Sports vai fazer a segunda prova da temporada em território brasileiro… Já pensou um aqui no Rio??? Acho pouco provável mas a esperança é a última que morre…

OBS: Tirando as fotos que estão marcadas pela Webrun, quase todas as outras foram  tiradas pelo amigo Marcos Sêmola. Valeu Marcos, 2014 é você e quem sabe não estarei lá fotografando???

Ironman Brasil 2013 – Bike Check-in

8 de junho de 2013 4 comentários

Sem dúvida nenhuma esse foi o dia em que fiquei mais tenso…

Acabei me atrasando na sexta-feira e não consegui nem testar a bike e nem “montar” minhas sacolas da prova. Ia ter que fazer tudo isso pela manhã já que o bike check-in era dividido pela numeração e meu horário era de 13h às 14h.

Ahh, sexta para sábado é também o último dia que se tem pra dormir antes da prova, logo, não ia ser legal acordar muito cedo.

Acabei levantando por volta das 9h e partimos pra testar a bike na Beira Mar. A última semana de treinos antes da prova foi tão suave que era como se eu não tivesse treinado. Quando dei as primeiras pedaladas era como se as pernas tivessem esquecido o que era aquilo. Cinco minutos depois eu estava pedalando freneticamente a 38km/h como se estivesse no campeonato mundial de contra-relógio (38km/h é muuuito rápido pra mim…).

Ajustes finais feitos e a bike já estava prontinha pra ser entregue, só faltava agora arrumar as sacolas…

Teste da bike no sábado pela manhã. Tudo OK.

Teste da bike no sábado pela manhã. Tudo OK.

É difícil decidir o que colocar nas sacolas da prova. São entregues 5 sacolas:

Branca – É a sacola “geral” vc leva ela no dia da prova com o que for usar antes da largada, entrega antes da largada e só tem acesso a ela novamente no final da prova. Nessa sacola coloquei meus chinelos, documentos, celular, casaco e tudo que eu precisaria assim que a prova acabasse.

Azul – É a sacola da T1. Você pega essa sacola com o material do ciclismo quando sai da natação e coloca nela tudo o que usou na natação (roupa de borracha, óculos etc.). Deixei nela meu capacete, número de peito já no cinto, sapatilha (essa eu tirei da sacola pela manhã antes da largada e a deixei presa no pedal), meias (sim, eu uso meias pra pedalar e correr) alguma alimentação pra comer na T1 e até uma toalha pequena (sim, eu também costumo tirar o excesso de água).

Amarela – É a Sacola da T2. Você tem acesso a essa sacola quando entrega a bike. Essa sacola é, pra mim, a mais simples. coloquei nela um par de tênis que usaria pra correr, mais um par de meias, e a alimentação da T2. Difícil é conseguir colocar nela toda a tralha que usei no pedal (capacete e sapatilha dentro da mesma sacola é complicado…). Ahh, a minha alimentação da corrida já estava toda presa no cinto do número que usei tanto pra pedalar quanto pra correr.

Verde e Vermelha – Essas são as sacolas do “special needs”. Uma pro pedal e outra pra corrida. Essas sacolas ficam em pontos estratégicos do percurso e você pode parar pra pegar o que deixou nelas. No pedal passamos pelo “special needs” 2 vezes e na corrida 3 vezes. A minha ideia era de não parar pra nada, logo, só deixei nessas sacolas alguns sachês de gel, barras energéticas e waffle de carboidratos, ou seja, comidas. Fiz isso por causa do que aconteceu comigo no 70.3 de Miami onde perdi toda a minha comida do pedal… Acabei não usando nenhuma delas.

Tudo arrumado, partimos pra Jurerê pra deixar lá, além da bike, as sacolas azul e amarela.

Chegando lá tive o primeiro choque de realidade. O pórtico de chegada.

Pórtico de chegada no dia do bike check-in.

Pórtico de chegada no dia do bike check-in.

Na hora que me dei conta de que no dia seguinte a meta era simplesmente passar por ali, quase pulei essas grades pra resolver logo essa parada… Acho que fiquei uns 5 minutos olhando pra esse pórtico. É meio hipnótico!

Despertei e lá fui eu deixar minha bike.

Entrando na transição

Entrando na transição

É impressionante a atenção que te dão. Você é realmente a estrela da festa. Tem 1 staff pra cada competidor. Ele te leva ao local da sua bike, te ajuda a colocar no suporte, cobrir etc. Nota 10 pra equipe de staffs da prova.

Enquanto deixava a bike, os fotógrafos estavam à toda. Conseguiram até me arrancar um sorriso. Apesar de eu ter um sorriso fácil, naquela hora estava meio tenso…

Tensão ou tranquilidade? Sei lá...

Tensão ou tranquilidade? Sei lá…

Depois de largar a bike fui deixar as sacolas, novamente acompanhado por um staff.

Quando já estava de mãos abanando era a hora de ir pra pintura. sim, fizeram a pintura dos atletas no dia anterior. Ficou mais rápido mas na hora da prova os números já quase não apareciam mais… Faz parte…

Pintura dos atletas

Pintura dos atletas

Tudo pronto!

Assim ficaram as bikes durante a noite:

Bikes na área de transição durante a noite

Bikes na área de transição durante a noite

E as sacolas:

Sacolas na área de transição

Sacolas na área de transição

Agora era almoçar e ir pra casa descansar. O grande dia estava chegando e a mentalização da chegada naquele pórtico já estava se formando na minha mente. Isso era bom.

Só pra dar uma palhinha, assim ficou a área das bikes na transição enquanto a maioria dos competidores corria:

Bikes esperando pra serem retiradas

Bikes esperando pra serem retiradas

É cada bike mais maneira que a outra…

Já já falo sobre a prova em si…

Ironman Brasil 2013 – Pré-prova

Finalmente, após conseguir organizar as idéias e, principalmente as fotos, segue o início do que ocorreu comigo no Ironman Brasil:

Apesar de a Expo começar oficialmente na quarta-feira, reza a lenda que praticamente nada ocorre nos 2 primeiros dias de evento. Com isto, cheguei à Floripa somente na quinta à noite pra na sexta pegar meu kit e passear (e gastar dinheiro) na expo. Me sobraria o sábado pra fazer o bike check-in e descansar antes da prova. Foi mais ou menos assim…

Como de costume, meu voo pra Floripa atrasou bastante e acabei chegando lá por volta da meia noite de quinta pra sexta. Logo no aeroporto já dava pra ver qual seria o clima.

Cartaz no aeroporto

Cartaz no aeroporto

Nesse dia tudo o que deu pra fazer foi ir dormir. A bike permaneceu dentro da mala e de lá só sairia no final do dia seguinte.

Na sexta, fui logo cedo pra Jurerê pra pegar o kit e assistir ao congresso técnico.

A retirada do kit estava bem tranquila e com poucos atletas. Quando perguntei se era assim mesmo, o staff me disse que esse ano o pessoal resolveu chegar mais cedo e nos dois primeiros dias já tinham entregue cerca de 1.000 kits.

Retirada do kit

Retirada do kit

Como pelo menos na inscrição eu consegui ser rápido, acabei ficando com o número 108, logo, tive que retirar meu kit junto com os atletas de elite…

Baia do 001 ao 180. Retirei meu kit junto com a Elite...

Baia do 001 ao 180. Retirei meu kit junto com a Elite…

Kit na mão e identificação colocada. Em algumas provas (Ironman, 70.3 e até nas últimas etapas do estadual de triathlon), você coloca essa pulseira aí e ela é o seu ingresso nas áreas reservadas aos atletas. Não se consegue fazer absolutamente nada sem elas.

Pulseira de identificação

Pulseira de identificação

Segui para o congresso. O começo da parada é meio assustador. Eles colocam um vídeo com as imagens do ano anterior e confesso que fiquei emocionado. Algumas pessoas acabaram soltando algumas lágrimas. É realmente emocionante, pelo menos pra mim, que fiz pela primeira vez.

Quando começou efetivamente a explicação da prova acabei ficando meio decepcionado. A área de transição é imensa com entradas e saídas diferentes e eu esperava alguns mapas explicando onde era a entrada da natação, o caminho que ia ser percorrido a pé até a tenda de troca e coisas desse tipo. Nada disso ocorreu! Falou-se sobre os tempos de corte, as cores das sacolas e um blá, blá, blá que tinha todo escrito numa folha que era entregue junto com o kit.

Congresso técnico

Congresso técnico

Acaba sendo legal porque é o momento em que você acaba encontrando os amigos e trocando uma ideia sobre a prova, estratégias, dicas etc. É realmente um clima muito legal.

Saindo do congresso reconheci logo nosso blogueiro famoso Fernando Asdourian que, infelizmente, acabou ficando fora da prova depois de um acidente de bike durante os treinos. Ele foi um que me deu várias dicas para a prova e depositou uma confiança em mim que nem eu tinha… Valeu Fernando, espero que você arrebente lá no ano que vem…

Depois da social com todo mundo que conhecia fui dar uma passada na Expo pra comprar tudo que existia com o símbolo do Ironman e… não tinha mais nada! Impressionante a falta de visão da empresa responsável pela loja oficial do Ironman. Acabou praticamente tudo, principalmente as peças tamanho P. Detalhe que ainda faltavam 4 dias de Expo. Alguém tem noção do dinheiro que se deixou de ganhar??? Eu não tenho, só que que foi muito pq tinha bastante gente querendo comprar e na da pra ser vendido.

Nos outros estandes ainda se podia encontrar alguma coisa mas nada que eu quisesse além de alguns cartuchos de CO2 pra possíveis furos de pneu no percurso…

Fui comer fora pois os restaurantes da Expo chegavam a ser engraçados. Tinha acarajé, churros, cachorro quente… Sinceramente, sexta-feira antes da prova será que alguém se arriscou no acarajé??? Na dúvida, eu passei longe.

Chegando em casa fui olhar com calma o kit e montar a bike.

Touca e número de peito

Touca e número de peito

Além da touca, número de peito, recebemos também uma camiseta de competidor, o chip e as 5 sacolas colorias para serem entregues com todas as suas tralhas que usará durante a prova.

Infelizmente acabei atrasando muito na rua e arrumando as coisas que quando a bike estava montada a noite já tinha caído, ou seja, o teste da bike ficaria pro sábado, dia do bike check-in.

Teste da bike no sábado pela manhã. Tudo OK.

Teste da bike no sábado pela manhã. Tudo OK.

Sobre o bike check-in vou deixar pra falar no próximo post. Tá ficando muito grande… rsrsrs

Estou de volta…

30 de maio de 2013 3 comentários

Pessoal,

Fiquei esse tempo todo da viagem pro Iron longe do micro por diversos motivos e finalmente voltei…

Correu tudo bem na prova e em breve colocarei os detalhes, preocupações etc.

Desculpem minha ausência por um tempo maior do que o de costume mas foi necessário…

Vamos que vamos agora à procura da nova meta e obrigado a todos vocês pela força e dicas que me deram ao longo desses meses. Foi tudo muito legal!

 

Semana 19 de 20

21 de maio de 2013 2 comentários

Definitivamente já estou no clima do IRONMAN…

Ao contrário do que pensei, a proximidade da prova está me fazendo relaxar cada vez mais. Uma ou duas semanas atrás eu estava uma pilha de nervos e a dúvida se estava preparado ou não permanecia nos meus pensamentos o tempo todo…

thinking-frog

Toda a dúvida acabou. Relaxei completamente e tenho a certeza de que, se nada muuuuito fora do normal acontecer, o IRONMAN Brasil 2013 vai ser um dia que vou passar fazendo uma das coisas que mais gosto: nadando, pedalando e correndo.

E sim, estou sim preparado pra fazê-lo!

O volume caiu vertiginosamente e, como eu já estava abaixo dele, o meu acabou caindo muito mais. rsrsrs

Pra me recuperar completamente do “princípio de resfriado” (se é que existe isso!?!?) não fiz absolutamente nada na segunda e na terça. Isso me fez perceber que eu tenho realmente “síndrome de abstinência”. Ficar alguns dias sem fazer exercícios, ainda mais se for porque não posso, me deixa um tanto quanto irritado. rsrsrs

Na quarta fiz um pedal meia boca e na quinta contei azulejos da piscina por nada menos do que 4.000m ininterruptamente em incríveis 90min.

Como de costume, a prova vai chegando e eu vou “encaixando” treinos que me fazem ganhar confiança. Isso é incrível e acontece SEMPRE! Acho que já falei sobre isso quando treinava pra Maratona do Rio… A natação é o que mais me preocupa mas acho que vai acabar “fluindo” numa boa.

Final de semana foi de chuva e isso atrapalhou meu último pedal na estrada que seria no sábado. Ele acabou tendo que ser feito no rolo e aí o tempo teve que cair pela metade. A corrida pós pedal foi forte e me sentindo bem o tempo todo.

Domingão fui dar minha última corridinha de 18km em ritmo de prova e foi 100%.

Saí de casa cedo e terminei meu giro no Aterro do Flamengo pra recepcionar os amigos que foram participar da Corrida da Ponte. Esse ano não fui por causa do Ironman. Todo mundo tinha me falado que era pra não ir e achei melhor ouvir esses conselhos. Vai que algo dá errado???

Agora é hora de diminuir ainda mais o volume e se preocupar em arrumar as malas… Essa semana sonhei que estava na T1 e tinha esquecido meu capacete… rsrsrs. Ainda bem que isso não é possível já que pra fazer o bike check-in vc tem que estar obrigatoriamente com o capacete… Mas acordei meio tenso…

Vamos ao resumão (previsto / realizado):

Swim: 5.600m / 4.000m;

Bike: 390min / 180min;

Run: 165min / 135min.

Deixa eu ir embalar a bike pq a hora tá chegando… 😉

 

Semana 2 de 20

21 de janeiro de 2013 5 comentários

Beeem melhor que a primeira mas, não perfeita…

Depois de uma semana muito complicada praticamente sem treinar, consegui “encaixar” a semana 2 de 20 razoavelmente bem. Só faltou mesmo a natação.

Consegui fazer 100% dos treinos de pedal, inclusive os do rolo sem “trapacear” nadinha (rs). Alguns dias era pra fazer tiros no rolo e o esforço é simplesmente absurdo. É papo pra ter que engolir o coração pra que ele não saia pela boca.

No sábado, finalmente retomei os treinos longos de pedal na estrada e me senti muito bem com a bike nova. Só tinha pedalado com ela no Ironman 70.3 de Miami e dá pra perceber que ela rende mais que a anterior, que  continua sendo a bike que uso no rolo ou quando vou pedalar nas “montanhas” do Rio de Janeiro. Foram 100km e só no final é que comecei a sentir o pescoço doer e acabou ficando meio difícil segurar a cabeça olhando pra frente. Isso é meio perigoso pq às vezes era obrigado a abaixar a cabeça pra relaxar e, obviamente, tinha que tirar os olhos da pista…

No domingo, participei, na “pipoca”, da corrida de São Sebastião. Não tinha me inscrito pq não sabia como estariam os treinos e como o foco é todo nos treinamentos do Iron e nada pode me atrapalhar, só vou me inscrever para provas que não prejudiquem os treinos.

Foi um excelente treino de corrida. Tinha que rodar leve por 50min e acabei fazendo os 10km da prova em 56min. Contando que na véspera tinha pedalado 100km, achei o resultado muito bom.

O ponto fraco foi a natação. Com as chuvas que andaram alagando a cidade por vários dias só consegui treinar 1 única vez.

Vamos que vamos pq tô começando a ganhar confiança.

Totalizando a semana 2 de 20 temos (previsto / realizado):

Swim: 5.500 m / 1.800 m

Bike: 315 min / 325 min

Run: 80min / 96 min

A meta dessa semana é tentar equilibrar a natação… Será?

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