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Ironman Brasil 2017 – A Prova

13 de junho de 2017 3 comentários

Que dia!!! Se eu tivesse que resumir meu 28 de maio de 2017 em duas palavras, seriam essas.

Finalmente chegou a principal prova do ano. Obviamente farei outras provas até o final do ano mas, sem sombra de dúvidas, essa era a principal de 2017. Provavelmente (diria até que certamente) esse será o único Ironman “completo” de 2017, mas a gente nunca sabe o que pode vir por aí… Vai que…

Pré prova

Cheguei em Floripa com bastante antecedência, no início da tarde de quarta-feira antes da prova. Isso é tempo suficiente para superar qualquer contratempo que possa ter ocorrido na viagem: extravio de malas, problemas na bike, sei lá… Só sei que um Ironman requer muita dedicação pra que tudo seja colocado a perder de bobeira.
Além disso, chegar na quarta-feira me permitiria finalmente fazer o treino de natação com as boias do percurso que tradicionalmente ocorre na quinta pela manhã. No meu primeiro Iron já cheguei depois desse treino e no segundo estava meio adoentado e preferi não piorar a situação.
Nesse ano, nada de contratempos. Na quarta-feira mesmo peguei meu kit e montei a bike para me certificar de que estava tudo correto.
Quinta-feira fui de manhã cedo para o local do treino e realmente é neste dia que a festa começa. Boa parte dos atletas já está em Floripa para a prova e a energia da galera é contagiante. A energia, a tensão, as dúvidas… Tudo é contagiante… Rs
As boias ficam no percurso de 10 às 12h e acabei começando o treino bem tarde batendo papo e esperando o pessoal da equipe para iniciarmos juntos. Só iniciar mesmo pq não consigo acompanhar ninguém…
Nesse dia estava ventando um pouco e o mar ficou bem mexido e com uma correnteza considerável…
Achei bem complicado pra chegar na primeira boia e acabou que quando cheguei a equipe que estava recolhendo as boias já estava no local. Pensei em pegar carona no jet ski pra voltar mas acabou que o retorno estava bem mais tranquilo do que a ida… Treino de natação feito!
A verdade é que a condição do mar não me deixou muito tranquilo para a prova. Daquele jeito, o desgaste na natação seria muito maior do que o esperado, mas vida que segue…
Na parte da tarde fiz um treino de ciclismo e pude verificar que estava realmente tudo ok com a bike. Só o vento que tinha aumentado bastante e me sacudia muito com umas rajadas laterais. Isso por 180km tb faz com que a prova seja meio tensa…
Sexta-feira e logo cedo fui para a “Cidade Ironman” assistir ao simpósio técnico. Depois disso meu único compromisso era um treino de corrida curtinho em ritmo de prova…

Bike check-in

O compromisso do sábado é o bike check-in.
Cada um no seu horário, temos que deixar lá nossa bike e as sacolas de ciclismo e corrida com os materiais que vamos utilizar na prova.
Meu horário era de 15 às 16h e justamente por volta das 15h a chuva resolveu dar uma trégua. Minhas coisas nem estavam totalmente organizadas mas fui alertado pela Lívia que a chuva tinha parado e saímos em disparada pro check-in… Mal acabei de entregar a bike e a chuva voltou com tudo. Uma mistura de sorte com o alerta da Lívia me salvaram de ficar em pé na chuva durante um bom tempo…
4_m-100764286-DIGITAL_HIGHRES-1897_002491-7936798Ahh, é no bike check-in que pegamos o nosso chip da prova.
Depois disso foi fazer uma social na Expo com os amigos e voltar pro hotel pra descansar…

Race day

Área de Transição

Acordei cedo, tomei café e fui com bastante antecedência pra área de transição.
Neste momento temos acesso à bike e às sacolas de ciclismo e corrida para organizar alguma coisa que tenha ficado faltando. Além disso entregamos aqui nossas sacolas de “Special Needs” de ciclismo e corrida.
Como já tinha deixado tudo praticamente pronto na véspera, apesar da correria pra não pegar chuva, nessa manhã a única coisa que precisei fazer foi checar se os pneus da bike estavam calibrados, ajeitar a comida, prender as sapatilhas na magrela e rezar. Estava tudo pronto só faltava largar…

Swim

Pra quem já fez ou assistiu a prova em Floripa sabe como é aquela caminhada da transição até a largada da natação… 2.500 atletas caminhando em ritmo lento, com poucas palavras e buscando um pouco de concentração… É neste momento que eu tento agradecer a Deus por estar ali e pedir pra que, no final do dia, eu e os outros 2.499 atletas estejamos tão saudáveis quanto no início.
Diferente da quinta, o mar estava liso, nada de ondas, nada de correnteza, um espetáculo. Só de olhar, já me deu uma tranquilizada sensacional…
Esperei pacientemente minha largada (mentira, queria largar logo e estava com paciência zero).
Às 7h10min tocou a buzina da minha largada. Entrei com calma no mar pra tentar evitar aquela trocação de socos mas foi inevitável… Pela primeira vez num Ironman eu nadei o tempo todo me estapeando com alguém. E olha que nos dois anteriores ainda não tinha largada em onda, era todo mundo largando junto…
Uma coisa que este ano foi diferente pra 2015 (parece que 2016 já teve também) foi que colocaram algumas boias intermediárias e isso evita que se perca muito o rumo, principalmente pra quem é um mestre da navegação errada como eu.
Nadei a primeira parte e quando dei a volta na areia percebi que estava com um tempo legal (ok, os caras que sabem nadar terminaram a natação mais rápido que isso, mas eu não sei) e isso foi um ponto positivo pq a segunda parte é menor que a primeira. Esse foi o primeiro indício de que eu teria um dia legal (Não tô falando dos tempos pq no fundo acho que isso é o que menos importa pra um atleta amador do meu nível, o importante é fazer a prova se divertindo e competindo comigo mesmo).
Entrei na água novamente e terminei a segunda parte tb num ritmo que considero bem legal pra mim.
7_m-100764286-DIGITAL_HIGHRES-1897_008747-7936801O mais incrível de tudo foi a distância que nadei: 3.823m. INCRÍVEL!

Resultado: Fiquei muito feliz com a natação!

T1

Saí da natação certo de que teria um bom dia. Corri por todo o percurso da praia até a tenda de troca, fazendo uma transição que nunca tinha imaginado fazer em Floripa. Correndo o tempo todo.
Ainda dá pra melhorar, mas tô feliz pra caramba tb.

Bike

Acho que a bike era minha maior incógnita pq a minha natação sempre é ruim (essa não foi tanto, mas as condições ajudaram) e eu estava bastante confiante pra correr, mas pra pedalar, apesar de ter consciência de que meu pedal evoluiu bastante, eu achava que estava com pouco volume. A opção era “pagar pra ver”…
Nas provas anteriores que fiz aqui pude perceber que a primeira volta sempre tem menos vento que a segunda. Acabei fazendo minha estratégia pensando nisso.
A ideia era fazer a primeira volta forte o suficiente pra pegar o menor tempo de vento possível, mas não tão forte a ponto de quebrar na segunda volta e ver esse tempo indo pelo ralo. Acho que foi uma estratégia acertada, apesar de ter sido um dia com pouquíssimo vento na Ilha da Magia.
Comecei bem, me alimentei e hidratei quase da maneira que planejei e fiz a primeira volta muito bem.
Aspas para o comentário sobre o retorno. Cara, é sensacional aquele retorno dos 90km. Temos um trecho de uns 5km com muita gente torcendo. Nessa prova em especial, que fiz com o uniforme da BR Esportes, minha assessoria, os parentes, amigos e conhecidos de qq atleta da assessoria gritavam para todos com aquele uniforme. Éramos 68 atletas da BR na prova e a torcida era imensa. Passei esses +/- 5km fazendo toda a minha força e, por consequência, ganhando várias posições (ok, eu as devolveria logo ali na frente, mas…). Enfim, ouvir um “Bora BR” dá um ânimo que eu jamais tinha experimentado antes.
12_m-100764286-DIGITAL_HIGHRES-1897_022451-7936806Na segunda volta, fui um pouco mais cauteloso. Estava chovendo o dia inteiro, portanto, o chão estava escorregadio, com algumas poças e vários buracos “encobertos” pela água. Isso fez o pedal, pelo menos no meu caso, ser um pouco mais tenso do que de costume.
Faltando uns 30km o cansaço bateu com força. Nessa hora comecei a duvidar se conseguiria correr…
Não era hora pra pensamentos negativos e tentei voltar o foco pro pedal.
Terminei num tempo muito perto do que esperava. Estratégia cumprida com excelência.

Resultado: fiquei muito feliz com meu pedal!

T2

Com a chuva caindo, fiz uma T2 um pouco mais lenta do que poderia, mas foi por opção.
Entreguei a bike e corri pra tenda. Por mais incrível que isso possa parecer, as pernas estavam leves.
A demora ocorreu pq optei por encharcar meu pé de vaselina pra evitar as bolhas. O dia inteiro com o pé molhado e sair pra correr 42km é bolha na certa…
Mesmo demorando um pouco mais, fiquei satisfeito com a T2 tb…

Run

Aqui veio a grande, enorme, mega cereja do bolo.

Ok, eu me sentia confiante pra correr antes da prova mas quando comecei, parecia que eu estava ainda mais confiante na minha corrida.
Coloquei um ritmo que certamente não conseguiria sustentar por 42km mas sei lá por que, decidi que iria nele até onde conseguisse.
Em cada ciclo de treinos pra uma prova grande (meia, maratona, 70.3, Ironman etc) a gente tem muitos aprendizados. Por mais experiente que sejamos, a gente sempre aprende alguma coisa. Nesse ciclo a grande lição foi a que vale a pena arriscar. Sempre tive muito medo de forçar demais e ficar pelo caminho. Nesse eu resolvi que eu ia correr até quebrar. E se isso acontecesse, dane-se, mesmo que eu tivesse que caminhar o resto da prova. Eu fui! E fui até o final.

Se você pensa que pode ou sonha que pode, comece. Ousadia tem genialidade, poder e mágica. Ouse fazer e o poder lhe será dado.
Goethe

Óbvio que lá pelo km 30 deu uma desanimada, mas foi a hora que começou a escurecer e acho que todo mundo desanima um pouco essa hora. Foi uma coisa bem passageira, logo em seguida retornei pra um ritmo legal e ainda tive fôlego pra “sprintar” no final…

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Lívia e Marcos correndo comigo os últimos metros

Não tenho palavras pra descrever o quão feliz eu fiquei. No final eu já estava tão emocionado que foi inevitável o choro. Sim, eu sou chorão e quando a gente tem um dia perfeito, não dá pra resistir…

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Muito obrigado aos amigos que torceram por mim, em especial ao Damião, que deve ter ficado rouco de tanto me gritar e torcer na prova, aos que me ajudaram na preparação e à Lívia (nossa, essa eu não tenho palavras pra agradecer), que além de me incentivar pra caramba, passou o dia todo na chuva acompanhando a prova. Parece besteira mas eu sei o quanto é cansativo acompanhar uma prova dessas in loco, ainda mais quando a nossa vontade mesmo é estar fazendo…

Muito obrigado, baixinha!!!

Vamos pra próxima!!!

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Ironman Brasil Florianópolis 2015 – A Prova

6 de julho de 2015 4 comentários

Amigos, eu sei que estou sumido e sei também que o relato da prova já perdeu boa parte do propósito.

Normalmente esse tipo de relato tem que ser feito logo após a prova. Só assim a gente consegue transmitir um pouco da emoção que vivemos.

Mesmo depois de todo esse tempo sem postar nada e pouco mais de um mês depois da prova, resolvi deixar aqui o que aconteceu naquela semana, sim, pq o Ironman não é só o dia da prova, é quase a semana toda, pra quem ainda se interessar por isso e também pra manter um registro de mais essa etapa…

Já aviso: Está grande! Tentei resumir o máximo possível mas sem deixar de lados os detalhes que considero mais legais…

Pré viagem

Quem acompanha (ou acompanhava, visto que está meio abandonado) esse blog, percebeu que desde a semana 13, de um total de 20, que eu não escrevo mais nada aqui… Até aí, as coisas estavam ruins mas ainda era possível acreditar que, no final, tudo daria certo…

Depois disso, parece que as coisas entraram numa espiral de dificuldades que tava ruim de sair. Mas vocês vão ver que realmente, no final, tudo dá certo… Ser cabeça dura tem lá suas vantagens… Ou não… rs

Meu último treino antes de viajar foi faltando exatos 17 dias pra prova: 40 x 100m na piscina, ou seja, 4.000m. Não só nadei essa distância nesse dia como saí da piscina como se não tivesse feito nada. Lembro muito bem de ter comentado que se no Iron eu saísse da água daquela maneira, o pedal ia ser com o sorriso largo de ponta a ponta…

Fato é que no dia seguinte entrei numa gripe leve que rapidamente se tornou absurda e cheguei a ficar 4 dias com febre. Depois de 7 dias, ou seja, faltando 10 pra prova, estava praticamente novo, fui nadar e depois de 1.000m saí da água completamente tonto. Nessa hora achei realmente que a prova estava escapando por entre os dedos. Como é que alguém que não consegue nadar 1.000m hoje vai fazer um Ironman daqui a 10 dias? Impossível, pensei…

Alguns dias depois tive uma recaída na gripe e comecei, sob orientação médica, é claro, a tomar antibióticos. Fazendo as contas, eu tomaria o último comprimido exatamente no dia da prova…

Desse jeito aí, fiz minhas malas e, cheio de remédios nas ideias e mais ainda nas malas, viajei no dia 27 à noite, quarta-feira, pra Floripa!

Pré prova

Na quinta-feira, já em Floripa, fui pra Jurerê acompanhar o treino oficial de natação. Estava um frio terrível (para os meus padrões de Rio de Janeiro, obviamente) e eu optei por permanecer dentro do casaco e não nadar. Sábia decisão! Sair da água com aquele ventinho frio ia ser quase tentativa de suicídio… rs

Neste dia decidi também que só montaria minha bike no sábado. Caso estivesse muito mal ainda, nem isso eu faria, deixaria a bike na mala do jeitinho que foi, só pra trazer de volta.

Quinta-feira a decisão era “Se a prova fosse hoje eu nem largaria!”

Na sexta-feira acordei surpreendentemente bem disposto. O nariz entupido tinha acabado, a voz fanha tinha acabado, a dor de garganta tinha acabado e até meu mau humor já tinha acabado. Todo mundo que encontrou comigo na quinta e depois na sexta percebeu a diferença. Era impressionante mesmo. Tão impressionante que logo depois do almoço decidi montar a bike e testar. Depois de tudo montado, caiu um temporal tão grande que o teste acabou ficando pra sábado de manhã… A decisão do momento era “Vai dar pra fazer a prova!”

No sábado logo cedo saí pra ver se estava tudo bem com a bike e comigo… A bike estava ótima!!! Já eu… Depois de 20min de pedal e 10min de corrida eu estava completamente ofegante. Inacreditável!!! Nessa hora o pensamento era “Vai ser meio sofrido…” rs

Cansado depois de um Giro de 20min... Foto da Maria.

Cansado depois de um Giro de 20min… Foto da Maria.

Na parte da tarde fui entregar a bike no check in e o clima da prova me fez esquecer de todo o resto…

Aproveitei pra tirar fotos com amigos que um dia já foram só virtuais e nessa altura já eram muito reais. Hoje em dia já são até famosos… É o caso da Maria, do Miltão e da Michelle, fenômenos das redes sociais e meus amigos!!! Pena que a Michelle não apareceu na foto… 😦

Só pra constar, não sou tão baixinho assim não... O ângulo da foto me prejudicou!!! Rs

Só pra constar, não sou tão baixinho assim não… O ângulo da foto me prejudicou!!! Rs

Estava realmente muito tranquilo. Qq estratégia que eu tinha imaginado já tinha ido por água abaixo mesmo. A meta agora era se divertir… rs

A Prova

Acordei por volta das 4:30, tomei um café da manhã “meia boca” e fui pra transição terminar de organizar os últimos detalhes.

Depois de tudo arrumado, tomei o último comprimido do antibiótico e me dirigi pra largada.

Estava bastante frio e nessa hora, alguns amigos que eu acabei fazendo durante a viagem acabaram me socorrendo com um casaco até a hora da largada…

Indo pra largada...

Indo pra largada…

Natação

A estratégia era sair da muvuca e nadar “no conforto” pra sair da água inteiro. Deu certo.

O único porém é que o meu “conforto” é lento e isso fez com que, na segunda volta, eu pegasse uma forte correnteza (que sempre acontece depois de determinado horário, em 2013 foi a mesma coisa) que conseguiu me tirar muito da rota planejada mesmo com vários staffs da organização tentando indicar a direção correta.

Pelo GPS acabei nadando um pouco mais de 4.400m ao invés dos 3.800m programados. Errar um pouco a distância, tudo bem, mas errar mais de 10% já é triste demais… kkk

Uma coisa que achei legal da organização esse ano foi que não colocaram apenas as boias de vértice. Colocaram também umas boias intermediárias pra ajudar a navegação. Parece que no meu caso não adiantou muita coisa… kkk

Tá aí, consegui sair vivo da água... rs

Tá aí, consegui sair vivo da água… rs

Tempo: 01:36:12

T1

Aqui cometi um belo erro estratégico. Na realidade não foi aqui, foi antes da largada.

Como estava muito frio na madrugada, resolvi não nadar com o top que faria o resto da prova. Imaginei que pedalar com o top molhado naquela temperatura ia me fazer congelar… E pra quem já não estava exatamente no melhor da saúde, poderia me trazer problemas.

Fato é que aquele top fica tão colado que foi uma saga pra conseguir vestir aquilo com o corpo molhado. Demorei muuuito pra conseguir. No final foi, mas… Ahh, tinha que colocar os manguitos tb… Puts… rs

Tempo: 00:09:36

Ciclismo

Essa era a parte que mas me deixava preocupado. Durante os treinos longos na estrada não consegui “encaixar” a alimentação e, em um deles, cheguei a parar um pouco antes do fim por “falta de combustível”.

Mais uma vez, a intenção era ficar “no conforto” pra completar a prova, e assim foi…

Sempre tentando me hidratar e me alimentar direito pra não acabar o gás, coloquei o Garmin da bike pra apitar a cada 15min. A ideia era comer de 30 em 30min mas se por algum motivo pulasse alguma “refeição”, 15min depois seria novamente lembrado… Até certo ponto deu certo. Uma pena que eu vacilei e a bateria acabou no começo da segunda volta, com cerca de 100km… kkk

Foto da TRI SPORT... Rá, tô famoso... rs

Foto da TRI SPORT… Rá, tô famoso… rs

Como não coloco o GPS do pulso pra me mostrar a velocidade, acabei fazendo um “voo cego” até o final do ciclismo (ok, quase cego pq se eu quisesse mesmo eu poderia ver a velocidade). Depois, olhando o GPS com calma, pude ver que a velocidade caiu bastante na segunda volta. Não credito o motivo apenas ao fim da bateria mas sim a isso somado ao cansaço acumulado e ao vento (que também sempre castiga a segunda volta dos lentos).

Eu estava tão “relaxado” em relação ao tempo que parei 3 vezes durante o pedal pra fazer xixi e mais uma no stand da Shimano pq meu guidom estava arriando.

Mais uma coisa que achei legal da organização esse ano, desta vez no ciclismo, foi que colocaram 3 pontos fixos da Shimano para pequenos reparos durante o percurso. A falta deles não teria me afetado em nada. Além de eu ter certa noção nos pequenos reparos, minha parada foi por puro comodismo. Dava pra ter continuado da maneira que estava ou eu mesmo ter feito aquilo…

Essa é pra quem acha que não faço força no pedal... rs

Essa é pra quem acha que não faço força no pedal… rs

Tempo: 06:42:36

T2

Cheguei na T2 e estava me sentindo tranquilo. Apesar de ter demorado bastante até aqui, como estava no esquema de “conforto” o tempo todo, achei que não haveria mais problemas daqui pra frente. Aí sim eu estava enganado… rs

Como a corrida terminaria de noite, optei por tirar os óculos de sol. Quando tirei os óculos percebi que minha vista direita estava embaçada. Joguei água e tentei de todas as maneiras limpar o olho mas não funcionou. Terminei de me trocar e fui correr assim mesmo.

Demorei demais aqui e acredito que a maior parte foi por causa do problema na vista…

Tempo: 00:10:03

Corrida

Comecei a correr tranquilo, afinal, o tempo não me importava e ali já dava pra praticamente garantir que a linha de chegada seria cruzada.

Mas eu ainda estava incomodado com o olho… Tão incomodado que, acho que com menos de 1km uma conhecida me gritou e parei pra que ela olhasse se tinha algo errado no meu olho. “Tá um pouco vermelho mas nada demais…”. Ok então… Voltei a correr como se nada tivesse acontecido. Mesmo com um olho embaçado… rs

Eu tinha no cinto 6 saches de gel. A programação era tomar 1 a cada 6 km e ainda teria a comida da prova, ou seja, de fome eu não morreria…

Quando chegou no 6ºkm, peguei uma água e fui tomar o gel. Infelizmente meu corpo não estava de acordo com o que minha cabeça tinha planejado e o gel voltou com tudo mais que eu tinha ingerido durante o pedal… Daí pra frente fiquei realmente muito enjoado e não consegui comer mais nada…

Incrivelmente passei a correr em um ritmo que estava confortável e que, dadas as circunstâncias, eu estava achando excelente…

No 25ºkm veio a conta… E amigos, infelizmente, nessas situações, a conta vem com juros absurdos… Parecia que tinha dado de cara na parede, colocado uma âncora pra eu arrastar e caneleiras de 5km em cada perna… rs

Nessa hora, passa tudo pela sua cabeça: os dias que passei sem treinar, os dias que tive de febre, a quantidade de remédios que tive que tomar e o olho embaçado… Foi a primeira vez que cogitei a possibilidade de não concluir a prova. Aquilo era realmente necessário? Eu tinha que provar alguma coisa a alguém? As respostas eram: Não e não…

Agora foto do MundoTri... Rá, mais famoso ainda... rs

Agora foto do MundoTri… Rá, mais famoso ainda… rs

Enquanto tudo isso passava pela minha cabeça, alternava trotes e caminhadas e, por volta do 30ºkm, defini que eu ia até o final sim mas que se minha visão piorasse eu pararia…

Continuei nesse anda e trota até quase o final. Nos últimos 3km a empolgação é tão grande que naturalmente voltei a correr tranquilo e pude, mais uma vez, concluir a prova.

Dessa vez a conclusão foi com uma certa dose de sofrimento que confesso que não achei legal. O tempo foi pior do que da outra vez mas isso é o que menos importa. Eu tinha chegado!

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Momento de reflexões e agradecimentos!

Tempo: 05:12:14

Tempo Final: 13:51:13

Só pra constar, no final da noite, quando fui dormir, apesar de estar com o olho bastante vermelho, a visão já tinha melhorado. No dia seguinte acordei vento tudo direitinho e o vermelhão já tinha diminuído bastante. Agora to novinho e pronto pra outra…

Queria, mesmo com esse atraso todo, agradecer demais às pessoas que estiveram comigo nos treinos e principalmente as que conheci lá em Floripa e me deram um apoio sensacional sem nunca terem me visto antes. É o caso da Maria, do blog “A Maria, o Triathlon…e um pouco das outras coisas…”, que além de ter feito uma excelente prova, me emprestou a sua “personal” torcida. Os caras me esperaram até eu chegar. Muito obrigado Valéria, Gerson, Hugo, Walter e esposa! Devo essa também a vocês!!!

Nem tudo são flores... Olha o estado pós prova... rs

Nem tudo são flores… Olha o estado pós prova… rs

Acabou!

Acabou!

Ironman Brasil 2015 – Semana 02 de 20

26 de janeiro de 2015 6 comentários

Tomei algumas decisões na semana 2 para não passar do limite e depois ser obrigado a parar os treinos pra me recuperar.

Atividades

Vamos por modalidade:

Natação – Minha planilha prevê 4 treinos de natação por semana, sendo um deles no domingo. Esse de domingo é muito difícil de ser realizado. A piscina onde eu nado não funciona neste dia e não gosto muito de nadar no mar desacompanhado. Sei lá, vai que algo dá errado??? Até hoje não deu, mas…

Bom então, a natação de domingo praticamente não vai existir.

Na terça feira, 20/01, foi feriado aqui no município do Rio, São Sebastião, padroeiro da Cidade Maravilhosa, e a piscina também não abriu, com isso, só fiz 2 treinos de natação mas, com tanto tempo sem nadar, achei até bom… Terminei ambos bastante ofegante e com os braços bem cansados. Sinal de que os treinos serviram pra alguma coisa… Vamos nessa tocada até o final…

Ciclismo – Realmente é uma modalidade que estou muito fora de forma…

São programados, na maioria das vezes, 3 treinos por semana, 2 durante a semana, no rolo, e um no sábado, na estrada.

Os treinos no rolo durante a semana são quase sempre uma pancadaria só. Tiros e mais tiros num ritmo alucinado com curtos intervalos de recuperação. São treinos feitos pra ganhar força e velocidade.

Os da estrada são treinos longos, num ritmo menos intenso, pra se ganhar volume. Ali a gente testa a alimentação e hidratação da prova, descobre onde o selim machuca, se o pescoço dói nessa posição etc.

Nessa semana acabei fazendo os 3 treinos mas não exatamente como deveriam ter sido feitos.

Os do rolo, comecei num ritmo mais forte do que deveria e, obviamente, não consegui completar todos os tiros propostos. Mas ok, fiquei bem satisfeito por 3 motivos: fui até onde deu, fiz muita força e agora tenho uma noção maior da minha condição sobre a bike…

Na estrada, era pra ter feito 90km mas com 30 já decretei que só faria 60km. A bike que uso no rolo não é a mesma que uso na estrada. Nem sei exatamente o motivo mas tenho tanto ciúmes da minha bike que não gosto de ficar judiando dela no rolo, logo, só uso na estrada e em provas… Cada doido com a sua mania… rs

Fato é que desde agosto de 2014, no Ironman 70.3 de Foz do Iguaçu, não usava essa bike. Com 30 km o selim já incomodava demais e os antebraços já estavam completamente destruídos de ficarem apoiados nos pads… Essas áreas vão ter que “calejar” logo pros incômodos acabarem. Conclusão, fiz só 60km e já fiquei satisfeito…

A parte boa disso tudo é que o pescoço, que tanto me incomodava nos treinos pra Foz, só reclamou um pouquinho no dia seguinte. Na hora do pedal mesmo, não percebi nada… Vai ver foi porque o antebraço doía tanto que nem percebi o pescoço doendo… rsrsrs

Esse treino pode ser visto aqui no Strava.

Corrida – Como o volume de corrida estava bem alto por causa do Dunga e depois disso acabei ficando com uma bolha bastante incômoda no pé esquerdo, resolvi abortar totalmente os treinos de corrida da semana.

Eram treinos bem pequenos e principalmente de rodagem que, considerando que acabei de correr 78km em 4 dias, não vão fazer muita falta.

Vamos ver o que melhora na bolha e no meu cansaço depois dessa primeira semana “real” de treinos pra voltar a encaixar a corrida sem muito sofrimento…

Semana 02– 19/01 a 25/01

Previsto 2015 x Realizado 2015

Swim – 7.700m / 3.200m

Bike – 315min / 227min

Run – 85min / 0min

Realizado 2013 x Realizado 2015

Swim – 1.800m / 3.200m

Bike – 325min / 227min

Run – 96min / 0min

Haha, parece que em 2013 eu estava um pouco mais disciplinado nesse comecinho…

Vamos com tudo que a semana 3 tá batendo na porta…

Ironman Brasil 2015 – Semana 01 de 20

23 de janeiro de 2015 3 comentários

Bom, como alguns que costumam dar uma passadinha por aqui já sabem, eu acabei de participar do Desafio do Dunga, lá na Disney. O Desafio do Dunga é composto por 4 provas em 4 dias seguidos: no primeiro dia 5km, no segundo 10km, no terceiro 21km e no quarto 42km. Isso mesmo, dá um total acumulado de 78km em 4 dias. Pode parecer pouco pra uns e pode parecer muito pra outros. A verdade é que uma maratona “pura” já me deixa um pouco desgastado, logo, é de se esperar que uma maratona depois dos 5, 10 e 21km me deixariam mais desgastados ainda…

Pois bem, não sei avaliar o nível de desgaste que estou. Estou me sentindo muito bem. Nos dias seguintes à prova não senti absolutamente nenhuma dor e acho que vai “dar pra levar” os treinos do Iron sem muuuitos problemas…

01de20

Coincidentemente, os treinos pro Ironman Brasil 2015, em Florianópolis, que vai acontecer em 31 de maio, eram pra começar exatamente no dia 12 de janeiro, um dia após o término do Desafio do Dunga. Nem preciso dizer os motivos pelo qual isso não aconteceu…

Tirei a primeira semana todinha de folga pra poder me recuperar ao máximo pra encarar a pedreira que vem pela frente. Ok, não foi todinha… No domingo eu acabei dando uma corridinha… Mas muito de leve, só pro corpo entender que, mais cedo do que ele imaginava, eu estaria correndo novamente… rs

Exatamente como fiz em 2013, vou tentar manter aqui um acompanhamento semanal dos treinos, explicando o que era pra ter sido feito, o que foi realmente feito e os motivos pelos quais eu não fiz o programado…

Farei isso por duas pessoas: eu e você!

Pra mim porque serve pra eu me guiar se estou fugindo muito do treino ou não. Às vezes temos a impressão de que estamos treinando demais e quando colocamos no frio mundo da matemática descobrimos que treinamos de menos… Muito menos… Outras vezes achamos que estamos treinando quase nada e na verdade estamos cumprindo a planilha com louvor…

Esse ano, como será meu segundo Iron e como eu também fiz esse “semanário” na outra vez, vou poder não só comparar se treinei conforme a planilha como também se treinei mais ou menos do que da primeira vez… Tem tudo pra ser interessante essa comparação… Vamos ver…

Pra você porque muitas vezes as pessoas não sabem o que é o Ironman. Tanto pro lado do “isso é impossível” quanto pro lado do “isso é uma molezinha”. Vai dar uma noção não das intensidades dos treinos obviamente, mas com certeza uma boa noção dos volumes semanais acho que vai dar pra ter… Ahh, já ia esquecendo: pra quem acha que isso é impossível lembre-se que no site do Ironman está escrito “Anything is Possible” e eu acredito demais nessa frase. Pra quem acha que é molezinha, bom, talvez dê pra perceber que pra manter esses volumes, embora seja perfeitamente possível, a gente tem que abrir mão de muita coisa… Principalmente quem, como eu, precisa trabalhar o dia inteiro pra poder, além de colocar comida na mesa, custear todo esse “vício” que é o triathlon e o Ironman em especial…

O que era pra ser realizado em 2013, não necessariamente é o que tem que ser realizado em 2015, portanto, o comparativo é apenas pra ver se treinei mais ou menos que o programado de 2015 e mais ou menos do que o realizado em 2013…

Semana 01 – 12/01 a 18/01

Previsto 2015 x Realizado 2015

Swim – 4.900m / 0m

Bike – 300min / 0min

Run – 120min / 65min

Realizado 2013 x Realizado 2015

Swim – 0m / 0m

Bike – 60min / 0min

Run – 45min / 65min

Ihh, olhando os números só posso dizer uma coisa: comecei mal demais!!! rsrsrs

Ironman Brasil 2014

Como é duro assistir a um prova dessas… Ainda mais quando o seu desejo é estar participando… rs

No final de semana passado fui pra Floripa assistir ao Ironman Brasil 2014.

Aquilo é espetacular! Coisa de outro mundo, mas, nunca mais vou pra assistir. Ou vou pra fazer a prova ou fico no Rio e acompanho os amigos pela internet.

Pra quem já fez, ficar olhando a festa é muito duro. Gritei, andei, incentivei chorei e me cansei demais. Arrisco até a dizer que é mais cansativo assistir à prova do que participar dela.

Felizmente tive a sorte de ir assistir justamente no dia em que um brasileiro finalmente venceu a prova. Venceu e convenceu! Além disso outro brasileiro ficou em segundo fazendo uma excelente dobradinha. Resumo: prova fantástica!

Ironman 2014

O Brasil foi soberano nas 3 modalidades:

  • Melhor natação – Chicão Ferreira – 00:47:14
  • Melhor ciclismo – Santiago Ascenço – 04:20:44
  • Melhor corrida – Igor Amorelli – 02:52:07

No final o que contou mesmo foi o fantástico tempo do Igor Amorelli, de 08:07:52. Diga-se de passagem, o melhor tempo de um brasileiro num Ironman… O cara é bruto!!!

É impressionante ver o que esses caras são capazes de fazer. Quando falo esses caras, me refiro aos que competem de maneira limpa e ainda assim conseguem grandes resultados. Pra mim, simples mortal que faço pra completar e, obviamente, me superar, e não aos outros, esses caras são monstros e devem ser admirados. E foi assim que vi as 3 modalidades: com admiração!

Quando vi o Chicão Ferreira terminando a natação fiquei impressionado com o ritmo de braçadas dele. Ritmo lento! Que eficiência! Que tranquilidade! A água praticamente não se agita quando ele passa com suas braçadas suaves. Impressionante. Quando eu crescer quero nadar assim!!! Pena que não cresço mais… 😦

Quando no meio da estrada vi o Igor passando praticamente voando fiquei até meio sem entender como ele conseguia aquela velocidade… Logo em seguida vi o Santiago fazendo força numa das subidas do percurso. Coloquei a cabeça pra fora do carro pra gritar pra ele que dava pra “buscar” o Igor. O semblante mudou na hora! Ele olhou pra minha cara, tirou a bunda do selim e começou a pedalar em pé, alucinado… E alucinante. Foi demais! Talvez ele nem mesmo lembre disso tamanho o estresse do momento, mas acho que, de alguma forma, contribui pra ele ganhar uns segundinhos no tempo final da bike…

Infelizmente não consegui ver a corrida do Igor mas pelo que falaram, foi um duelo espetacular com o Santiago e, na segunda metade desta etapa, ele conseguiu abrir um pouco.

Pela primeira vez na história tivemos um brasileiro no alto do pódio e ainda com dobradinha. Muito bom!

A parte triste ficou por conta do pessoal do vácuo no pedal. É muita cara de pau! Foram formados pelotões gigantes com mais de 10 atletas que pedalavam juntos por muito tempo. Ninguém me contou não, eu vi! Passei várias vezes de carro por boa parte do percurso da prova pra fotografar os conhecidos e vi muitos absurdos. Uma pena que isso esteja até gerando mais comentários nas redes sociais do que a vitória brasileira… Melhor deixar isso pra lá…

Claro que não posso deixar de comentar a participação feminina: Ariane Monticeli você é demais e torço muito pra ti. Já já a sua hora chega!!!

O negócio agora é conseguir se inscrever pro ano que vem!!! Prefiro sofrer na pista do que na torcida…

Ironman Brasil 2013 – O video

15 de dezembro de 2013 13 comentários

Muito tempo passou mas só agora tive tempo de reunir todas as imagens que tenho do Ironman.

Reunir, selecionar, agrupar, cortar, colocar música, apagar tudo, fazer tudo de novo etc.

Acabou saindo um videozinho de 3min13seg que eu acabei assistindo muitas vezes. Muitas mesmo! Algumas durante o processo de edição e muitas outras depois que ficou pronto.

O fato é que em TODAS as vezes. Isso mesmo, TODAS, eu me emociono no final. Acho até que fico mais emocionado vendo o vídeo do que fiquei na hora da chegada.

Pra quem acompanhou toda a minha “saga” durante a preparação pro primeiro Iron, acho que vale a pena gastar 3min pra ver o vídeo. Pra quem não acompanhou acho que também vale, afinal, 3min passam muito rápido. Pra quem não sabe nem o que é um Ironman vale mais ainda gastar esse tempo. Reparem que tudo começa de noite e quando acaba, já está de noite novamente…

Certamente voltarei lá algumas vezes pra fazer essa prova!

Chega de papo.

E aí, gostou? Se empolgou pra fazer um também?

Eu me arrepiei mais uma vez… rs

Ironman Brasil 2013 – A Prova

12 de junho de 2013 11 comentários

Já aviso logo que ficou grande. Pensei até em dividir em 3 partes mas acabei decidindo por colocar inteiro… Tem fotos pra ir distraindo e deixando a leitura menos “pesada”. rsrsrs.

O GRANDE DIA

Enfim chegou o dia da prova. Praticamente 1 ano após ter feito a inscrição e cerca de 1 ano e meio após ter tomado a decisão de fazer, lá estava eu, levantando às 4h da madrugada, sem ter dormido praticamente nada, pra enfrentar, provavelmente, a prova mais dura que já fiz, o Ironman!

Incrivelmente estava muito tranquilo. A véspera, dia do bike check-in foi bem mais tensa…

Tomei um banho, comi alguma coisa, peguei minhas sacolas (branca, verde e vermelha) e parti pra Jurerê.

Com algumas ruas já interditadas o carro ficou longe e foi uma caminhada demorada até a entrada da transição. Chegando lá, as sacolas verde e vermelha (special needs) ficam na entrada e você tem acesso à sua bike e às suas sacolas azul e amarela.

Com toda a calma do mundo, prendi minhas sapatilhas à bike, resolvi, de última hora, levar outra câmara ao invés de deixá-la no special needs e assim o tempo foi passando. Tudo pronto fui me trocar. Coloquei tudo que não usaria durante a prova na sacola branca, que é deixada junto com a azul, vesti minha roupa de borracha e iniciei a também longa caminhada até a largada.

Indo pra largada ainda de noite

Indo pra largada ainda no escuro. Eu sou o mais sério. rsrsrs.

Apesar de eu estar relativamente tranquilo, rola todo um clima meio tenso. Durante a caminhada procurei me concentrar no que fazer na prova mas é tudo muito complicado. Uma imensidão de novidades, 2.000 atletas, muito mais do que isso de torcedores e eu caminhando… Caminhando e pensando o por quê de eu estar ali… O por quê de aquelas boias que eu teria que contornar estarem tão longe… O por quê de eu ter passado os últimos 5 meses da minha vida preocupado com esse dia… Por que? Por que?

Chegando próximo à entrada, a sensação é de que estamos indo realmente pra uma batalha. São beijos e abraços de despedida como se aqueles pudessem ser os últimos momentos. Pais se despedindo dos filhos, filhos se despedindo dos pais, maridos se despedindo das esposas e esposas se despedindo dos maridos…

Alguns atletas sorrindo e outros visivelmente tensos. Alguns até sorrindo de tensão…

Concentração antes da largada.

Concentração antes da largada.

Os últimos momentos antes da largada são realmente inenarráveis…

Até então, no céu, só a Lua como testemunha… Aos poucos, o Sol começa a nascer e percebe-se que o momento da largada está chegando.

O narrador dá as últimas instruções, deseja boa sorte, fazemos um minuto de silêncio em homenagem aos atletas que infelizmente nos deixaram durante a preparação para este dia e finalmente diz estar torcendo para que todos retornem bem à linha de chegada até a meia noite. É realmente de arrepiar…

Logo após um “silêncio ensurdecedor” toca a buzina da largada. Toca e fica tocando por muito tempo…

14 - Tocou a buzina

Largada

NATAÇÃO

Nessa hora, esqueci de todas as dificuldades que passei durante os treinos e depois de cerca de 1min eu estava entrando na água e dando as primeiras braçadas…

Largada

Largada

A natação, nesta etapa, é feita no formato de um M, da direita pra esquerda e com a primeira perna um pouco maior do que a segunda.

Estranhamente mirei na primeira boia, que fica a 1km da largada (perpendicular à praia) e praticamente não tive problemas de navegação. Incrível!!!

Vale uma observação: A natação do Ironman é a coisa mais violenta da qual já participei. Nem nos meus tempos de judô eu apanhei e bati tanto assim.

Após contornada a primeira boia, que vista da praia tem uns 2cm e quando vc chega nela tem 5m de altura, rumei forte pra segunda e aí veio a primeira crítica à organização: não tem nenhuma referência boa na areia pra indicar o retorno. Os salva vidas ficavam na segunda boia gritando pros atletas mirarem no morro. Isto mesmo, mirar num morro que tem lá no fundo… Acabei chegando na praia sem maiores problemas e passando pela areia, não resisti e olhei pro relógio: 45min pra fazer a perna mais longa. Fiquei feliz e percebi que mesmo piorando um pouco na segunda perna, minha previsão de nadar em 1h45min seria facilmente alcançada.

Na segunda perna, entrou uma correnteza estranha que acabei achando que estava demorando muito pra chegar na 3ª boia quando finalmente consegui chegar, fiz a curva passei pela 4ª e mais uma vez salva vidas gritando pra mirar na tenda branca (detalhe que a tal tenda branca ocupava uns 100m de praia. É pra mirar em qual parte dela???). Nesse retorno à areia, a dúvida da direção somada à correnteza que estava cada vez mais forte, me deixaram bastante irritado. Acabei saindo da água meio chateado mas quando me dei conta de que tinha feito a natação toda em 1h25min. Fiquei tão empolgado que depois de tirar a roupa de borracha dei até uma corridinha até a tenda de troca…

Correndo pra T1

Correndo pra T1. Eu sou aquele ainda de touca na cabeça.

No final das contas, fiquei feliz com minha natação.

Percurso da natação

Percurso da natação

T1

Contrariando minha previsão, cheguei bem na T1 e fiquei mais animado ainda quando percebi que a área de troca estava lotada. Isso queria dizer que eu estava “no bolo”… É péssimo quando vc sai da água e sua bike está praticamente sozinha na transição.

Fiquei tão animado que acabei relaxando demais… Me dei ao luxo de secar os pés pra calçar as meias enquanto a maioria nem usa meias… Fato é que demorei bastante na T1 mas, pelo menos, não esqueci nada e nem deixei cair nada pelo caminho. Minha maior preocupação era com a alimentação e fiz questão de fazer tudo com bastante calma…

No total fiquei cerca de 11min na T1.

PEDAL

Sai pra pedalar e só pensava em uma frase: “Contenha-se na primeira volta porque a segunda vai ser muito dura!”. Todos com quem conversei nos últimos dias repetiram essa frase pra mim. Todos mesmo.

Saindo da T1

Saindo da T1. Eu sou o que está com a roupa do Brasil (BR).

O início do pedal é meio complicado. O primeiro trecho, na Avenida Búzios, é cheio de quebra-molas e, logo em seguida, passamos pra uma parte de paralelepípedos. Impossível não ficar pensando “tomara que minhas rodas não quebrem aqui” o tempo todo. Isso faz com que, naturalmente, o comecinho do pedal seja muito lento. Comecinho mesmo, isso deve ter, no máximo 2km, mas é meio estressante.

Logo a seguir pegamos a estrada e, salvo em alguns trechos bem esburacados, dá pra pedalar sem muito estresse.

Pedalando

Pedalando

Minha ideia inicial era de fazer o pedal em cerca de 6h. Com os conselhos recebidos, acabei não forçando muito a barra e fiz a primeira metade em 3h05min aproveitando pra “conhecer” o percurso e logo percebi algumas subidas que, certamente, fariam minhas pernas pesarem na segunda volta.

Agora era a hora de socar a bota pra fazer em 2h55min. Pois é, mas a segunda volta é, como todos me disseram, muito dura. Muito mesmo. Até agora não consegui concluir se era melhor ter pedalado forte a primeira já que a segunda seria dura de qq maneira…

De repente apareceu um vento chato que fica sempre te segurando que começou a me irritar. Somado a isso tem o fato de eu já estar sobre a bike a mais de 3 horas e todo o desgaste físico e psicológico.

Fato é que apesar de não ter sofrido em nenhum momento e muito menos ter pensado na possibilidade de desistir, o pedal acaba sendo uma coisa meio monótona. Foram 6h30min praticamente sem falar com ninguém. Digo praticamente pq no final das duas voltas consegui alcançar grandes amigos e pudemos trocar uma ideia por alguns poucos minutos. É bom falar com alguém depois de tanto tempo só pensando…

Deu até pra bater um papo rápido...

Deu até pra bater um papo rápido…

Praticamente não tive problemas durante o pedal. Nenhum problema mecânico, nenhum pneu furado, minha comida toda estava lá na bike pra quando eu quisesse comer e ainda tinha alguma coisa na sacola do special needs que simplesmente ignorei por absoluta falta de necessidade. Obviamente estou desconsiderando o vento quando digo que nada me atrapalhou, o vento estava lá pra todo mundo.

Foi tanto tempo pedalando que deu tempo de fazer ultrapassagens:

Fazendo ultrapassagens

Fazendo ultrapassagens

Sorrir pra câmera:

Sorrindo

Sorrindo

Pedalar sozinho:

Pedalando sozinho

Pedalando sozinho

E até arrastar esse gordinho ai e o amigo dele por cerca de 10km:

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Aqui cabe outra observação: Essa prova, como todos sabem tem o vácuo proibido. É impressionante como as pessoas gostam de burlar as regras. Esse rapaz que aparece nessa foto ficou na minha roda por cerca de 10km justamente no maior trecho de vento contra que tinha. Isso me irritou tanto que cheguei a gritar com ele em alguns momentos. O problema é que se um fiscal percebe o que ele está fazendo, eu recebo a punição junto. Ainda bem que isso não aconteceu pq se eu fosse parado, certamente o gordinho ia escutar muito… Consegui me livrar dele dando uma forçada gigante logo antes de uma subida e ele, obviamente, não teve pernas pra acompanhar… Se tivesse não ia precisar ficar na minha roda… Só pra constar, o pedal do gordinho foi em 7h30min, 1h a mais do que eu).

Enfim, depois das 6h30min cheguei na T2 e aí, já não tão satisfeito com os 30min extras…

Término do pedal meio enfurecido

Término do pedal meio enfurecido

Esse aí foi o percurso da bike, essa voltinha aí tem 90km, logo, foram duas:

Percurso do pedal

Percurso do pedal

T2

Mesmo chegando uma pouco mais tarde do que esperava, fiz outra transição com toda a calma do mundo. Dessa vez troquei as meias… rsrsrs. Lembra quando disse que a maioria nem usa meias??? Pois é, eu até troquei as minhas do pedal pra corrida… rsrsrs

Comi tudo o que tinha pra comer e passei pelo banheiro antes que minha bexiga explodisse.

Gastei uns 9min.

CORRIDA

Saí da transição ainda comendo. Como já falei, a alimentação era minha maior preocupação. Muita gente boa fica se arrastando porque errou na alimentação da prova.

Início da corrida

Início da corrida

Foi difícil segurar o ritmo nos primeiros quilômetros. Eu sempre acho difícil segurar o ritmo da corrida quando acabo de pedalar. O problema é que isso não é sustentável. Eu sei que ali na frente vou quebrar mas é difícil reduzir a velocidade. Corri os primeiros 3 km na casa de 5:40min/km, pace que eu não conseguiria manter nem se fosse só pra correr a Maratona, muito menos depois de ter nadado e pedalado tudo isso… Aos poucos consegui colocar um ritmo que julguei ser sustentável de 6:15min/km. Julguei errado! Acho até que seria possível não fossem as subidas pra Canasvieiras…

Lá pelo km 8 ou 9 começam as subidas. Nem são muito longas mas são tão íngremes que, pelo menos no meu campo de visão, não tinha ninguém correndo. Todos sobem andando e, por mais incrível que isso possa parecer, ganha-se tempo com essa caminhada, mas não eu. São umas 3 subidas na ida e temos um retorno com quase 14km voltamos e encaramos as 3 subidas novamente antes de fechar a primeira volta de 21km (a prova tem 1 volta de 21km e duas de 10,5km que essas, graças a Deus, são 100% planas). Era uma coisa tão íngreme que andei nela até na hora de descer pq fiquei com medo de cair.

Caminhando nas subidas

Caminhando nas subidas

Mas porque no meu caso a andada me “atrapalhou”? Atrapalhou porque achei que conseguiria voltar a correr “normalmente” depois e não consegui. Acho que o corpo percebeu que mesmo se eu fosse engatinhando eu chegaria ao final da prova muito antes das 17h de limite. Do km 22 ao 36 foi uma anda e trota que, sinceramente, me encheu a paciência. Começava a trotar e aos poucos, meio que automaticamente, ia diminuindo até iniciar a caminhada… Quando me dava conta de que estava andando, começava a correr novamente e isso se repetiu até o km 36… Resumindo: O corpo relaxou!

Quando começa a escurecer bate um certo desânimo. O número de atletas começa a diminuir pq muitos já estão completando a prova, o número de torcedores começa a diminuir, a temperatura começa a diminuir (estava com tanto frio que parei 6 vezes durante a corrida pra fazer xixi), sua paciência também começa a diminuir e assim vai a prova caminhando pro final…

Anoiteceu e eu ainda estava correndo

Anoiteceu e eu ainda estava correndo

Mais uma observação sobre a quebra de regras: O regulamento fala que é proibida a ajuda externa e durante a corrida é impressionante o número de atletas que utiliza ajuda externa, várias pessoas de assessorias andando de bicicleta pelo caminho distribuindo pros seus alunos desde água, passando por frutas e chegando até a suplementos… Pra que isso? Durante a corrida passamos 3 vezes pelas sacolas de special needs, os postos de hidratação ficam a cerca de 2km um do outro e tem de tudo neles: água, gatorade, refrigerante, banana, gel, sopa e pão. Gel, sopa e pão só em alguns e a sopa só depois das 17h. Ou seja, é só pelo prazer de burlar as regras… De querer ser mais esperto e se dar bem…

Voltando à corrida, ao frio e à sopa, não consigo tirar da cabeça a cena que passei: Já tinha escurecido e eu estava com bastante frio quando passei por um posto de hidratação e uma das staffs, muito simpática me pergunta: “Quer uma sopinha?”. Caramba, quando olhei praquele copinho soltando fumaça nem pensei duas vezes e peguei. Quando ia tomar ela abre um sorriso e complementa: “E um pãozinho, aceita?”. Noooossa, olhei pra mesa e tinha uma bandeja enorme de pãezinhos Bisnaguinha. Passei a mão em dois e fui caminhando tomando a sopa e comendo as bisnaguinhas. Que felicidade!!! Rsrsrs Daí pra frente, todo posto que tinha sopa eu mandava pra dentro um copo de sopa com duas bisnaguinhas… Isso me deu um up incrível.

Fiquei tão bem que, a partir do km 36 imprimi um ritmo de corrida na casa dos 6min/km novamente e fui reduzindo até cruzar a linha de chegada com pace já na casa dos 5:30min/km.

Faltando cerca de 500m comecei a pensar que tinha que passar sozinho na linha de chegada pras fotos ficarem boas… rsrsrs. Olhei pra frente e tinham 3 atletas bem lentos. Obviamente resolvi passá-los. O primeiro deles estava trotando bem lento e não ofereceu reação, a segunda era uma mulher que também estava bem lenta o terceiro é que foi impressionante. O cara caminhava e, quando foi ultrapassado começou a correr e me alcançou novamente. Uns 30 metros depois ele parou e voltou a caminhar… Achei que estivesse no papo mas de repente o cara veio alucinado, me passou e depois disso só consegui vê-lo pelas fotos da chegada… Impressionante!!!

Foi esse aí que me ultrapassou faltando 300m pra chegada.

Foi esse aí que me ultrapassou faltando 300m pra chegada.

Bom, pelo menos consegui sair sozinho na foto da chegada…

Chegada

Chegada

Consegui concluir a corrida em 5h13min e meu planejado era pra fazer um pouco abaixo das 5h, mas…

Esse aí foi o percurso. Esse “apêndice” pra direita só é feito na 1ª volta. São as terríveis subidas pra Canasvieiras…

Percurso da corrida

Percurso da corrida

Caramba, como acontecem coisas em 13h30min!!!

Depois da chegada e da massagem

Depois da chegada e da massagem

Em resumo, foi uma prova fantástica! É um dia de diversão completa. Não sofri e muito menos pensei em desistir em nenhum momento.

Essa é minha.

Essa é minha.

Não se pode negar que tem uma energia muito boa e um astral diferente de todas as outras provas de que já participei. Certamente voltarei pro Ironman, possivelmente pra Floripa, mas não em 2014. Quero um ano treinos sem compromisso. Sem aquele estresse todo de ter que acordar às 04h30min de sábado pra ir pedalar e às 06h de domingo pra correr, sem contar as 3 vezes na semana às 5h30min pra nadar… Vou ficar 1 ano nas provas menores…

Quero treinar por prazer, não por obrigação, mas treinar pro Iron se torna obrigação. É praticamente uma questão de sobrevivência: ou treina ou morre! Em 2015 quero repetir essa experiência, já com o lastro de 1 Iron completado e mais 1 ano de treinos… Vamos ver no que vai dar…

Ahh, existe uma remota possibilidade de eu fazer um Iron em 2014 mas isso vai depender de onde a Latin Sports vai fazer a segunda prova da temporada em território brasileiro… Já pensou um aqui no Rio??? Acho pouco provável mas a esperança é a última que morre…

OBS: Tirando as fotos que estão marcadas pela Webrun, quase todas as outras foram  tiradas pelo amigo Marcos Sêmola. Valeu Marcos, 2014 é você e quem sabe não estarei lá fotografando???

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