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Ironman Lanzarote 2018 – A Prova

A ideia

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O Ironman Lanzarote tem a fama de ser o mais difícil da franquia e confesso que nunca tive muuuita vontade de ir lá conferir essa fama… Mas aí veio a Lívia falando que era a prova dos sonhos e já viu, né??? Lá fomos nós… Rumo ao “The thoughest in the World”!!!

Pela primeira vez íamos largar juntos em uma prova de Ironman e isso foi legal durante a preparação, que juro que vou tentar contar como foi em outro post… Rs. Durante a prova já não é tão legal assim, ainda mais num percurso como o de Lanzarote, onde o pedal é em uma volta única e só dá pra saber alguma coisa sobre o outro na etapa da corrida… É duro ficar tanto tempo sem notícias… Mas vamos ao que interessa…

A viagem

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A prova lá acontece no sábado e não no domingo, como a maioria dos Irons. Como não conhecíamos nada do local, chegamos com bastante antecedência, no domingo anterior à prova. Isso foi ótimo pq, em primeiro lugar, as bikes não chegaram junto com a gente e, com tanta antecedência, ficamos tranquilos de que chegariam a tempo da prova. Outra coisa interessante foi que tivemos tempo para percorrer todo o percurso do ciclismo para conhecer os pontos críticos (obviamente isso foi feito de carro), o percurso da natação e de corrida antes da prova.

Ahh, já ia esquecendo… Também fizemos turismo… Rs

O “Terrorismo”

Antes de falar da prova, vale ressaltar uma parte engraçada.
Fizemos uma conexão muito rápida em Madri para chegar até Lanzarote. Obviamente, nossas bikes não chegaram junto conosco no destino final.
No aeroporto de Lanzarote, enquanto tentávamos descobrir onde estariam as bikes, acabamos conhecendo um senhor francês que também estava lá para fazer a prova e, sem a bike igualzinho a nós…
Papo vai, papo vem, descobrimos que ele é frequente em Kona, ou seja, o cara é casca grossa. Lá pelas tantas ele acabou nos contando que seria a segunda vez dele em Lanzarote. A primeira tinha sido 10 anos atrás e ele prometeu que nunca mais faria pq a prova era muito dura… Meu Deus… Pra que ele disse isso??? Mas ok, deve ser exagero, eu pensei…

Depois da papelada preenchida no aeroporto fomos atrás do nosso carro alugado. Chegando na locadora, o rapaz que lá trabalha estava com um cordão do Ironman segurando o crachá…
Papo vai, papo vem, ele nos disse que tinha feito a prova no ano passado e que prometeu pra ele mesmo que nunca mais faria pq a prova era muito dura. Agora só faz em outros lugares do mundo… Desnecessário me falar isso… Rs

No dia seguinte, fomos numa loja de bikes e, conversando com o vendedor sobre o percurso que havia mudado para este ano ele acabou deixando escapar que esse ano o percurso seria bem mais difícil do que nos anos anteriores… Pra que ficar me falando isso???

Daí pra frente parei de falar sobre a prova… A ideia já era voltar pro Brasil… Rs

Pré-race

Fomos buscar os kits da prova logo na abertura do evento, quarta-feira. Aqui já dá pra ver uma diferença: o kit da prova vem dentro de uma mochila com vários brindes. Parece besteira mas fiquei todo bobo com minha mochila de Lanzarote…
Pra pegar o kit não teve nenhuma complicação: chegou, assinou, pagou a taxa obrigatória de 10EUR, pega o kit e vaza… Tinham umas bebidas no “esquema 0800” e aproveitei pra hidratar bem… Rs

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No dia seguinte teve o briefing e o jantar de massas.
O briefing é sensacional! Apresentado pelo incrível Kenneth Gasque, aqui são passadas as principais instruções da prova que vou repetir as 3 primeiras que são as que lembro:
1 – Segurança
2 – Segurança
3 – Segurança
Obvio que o briefing é uma coisa séria mas foi um momento de grande descontração que me fez acreditar finalmente que seria divertido fazer a prova.
Uma coisa que chamou nossa atenção foi a quantidade de pessoas que fazem a prova muitas vezes. Quando ele perguntou quem ali já tinha feito a prova mais de 10 vezes, foi assustador… E ao mesmo tempo, tranquilizador… Rs

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Em seguida do Briefing veio o Desfile das Nações. Cara, isso é sensacional! Eles chamam as crianças de alguma escola pra representar os países. Cada país tem uma criança carregando a bandeira e uma criança carregando a placa com o nome do país. Nem todo mundo participa do desfile. Éramos 5 brasileiros na prova e só eu e Lívia fomos para o desfile. Quem for fazer a prova, vale a pena fazer um esforcinho pra ir no desfile. É bem legal. Além disso, as crianças que representaram o Brasil eram espetaculares…

Depois, jantar de massas. É um banquete sensacional! Nada de só ter macarrão e molho. Tinha salada, pães, massas, carnes de boi, frango e peixe, sobremesas e sei lá mais o que… Comi muito… Rs

Na sexta-feira era hora de verificar se não tinha nada de errado com a bike, separar o material da prova e deixar tudo no bike check-in.
Como não tinha horário pré-estabelecido, optamos por ir no meio do horário. Não gosto de ficar muito tempo longe da minha bike e tb não gosto de deixar tudo pra última hora. Vai que dá algum problema. Aqui, nenhum problema. Como de hábito, staffs atenciosos e com boas informações sobre como as coisas vão funcionar.

Race day

Preparação

Manhã de prova e tem sempre aquele ritual todo que a gente já conhece… Numa coisa aqui a gente se deu bem. Pegamos um hotel muito perto da largada, logo, deu tempo de acordar, tomar café, ir pra transição, arrumar tudo o que faltava, verificar se a bike tinha passado a noite bem e voltar no hotel pros últimos ajustes… Rs
Perfeito!

Natação

Como de hábito, a parte mais tensa de toda prova, pra mim…
Mas aqui tinha alguma coisa diferente que estava me deixando extremamente tranquilo. O percurso da prova é feito em duas voltas de 1.900m cada. Tínhamos nadado nesse percurso de 1.900m duas vezes e, nas duas, eu fiz tempos melhores do que os meus melhores tempos de 70.3. Além disso, o mar é lindo, totalmente flat, pouquíssima correnteza… Tudo perfeito!!! Ops, quase tudo… A água é bem gelada… Mas eu ainda não tinha noção do quão gelada ela era…

A largada em Lanzarote é única. Não existe largada em ondas, ou seja, quase 2.000 pessoas largando de um corredor estreito ao mesmo tempo.
A ordenação da largada é feita por tempo previsto da natação: você declara o tempo que pretende nadar e recebe uma touca da cor que indique aquele tempo. Isso evita muitos atropelos de pessoas mais rápidas largando lá no final e vice-versa… Mas não evita todos…
Incrivelmente consegui pontuar direitinho nas provas que fiz no ano anterior e acabei ficando classificado no ranking AWA (All World Athlete) do Ironman na categoria Silver. Essa classificação me fazia ter uma touca diferente das outras (iguais a todos os AWA de qualquer categoria: Gold, silver e bronze) que me permitia largar lá na frente, de “faixa no peito”… Obviamente que eu tb poderia ir lá pro final e largar tranquilão, mas os treinos dos dias anteriores fizeram crescer a confiança e eu larguei lá na frente mesmo… O problema é que dos 2.000 participantes, pelo menos metade deles nadam melhor que eu, uns 500 devem nadar parecido e os outros 500 um pouco pior… Aí já viu…
Deu a largada Comecei a nadar e a apanhar ao mesmo tempo… Tudo junto e misturado… Pra tentar fugir um pouco da pancadaria, acabei optando por fazer os contornos das boias de vértice um pouco mais aberto, o que me fez nadar mais do que o necessário (normalmente já faço isso naturalmente por erro. Dessa vez foi consciente… hahaha).
Perto do final da segunda volta, comecei a sentir muito frio. Muito frio. Muito frio mesmo. Nesse ponto já não sentia direito as mãos e percebia claramente que os movimentos já não eram tão coordenados como deveriam ser… Meu pensamento era só de sair da água.
Terminei a natação com um tempo um pouco pior do que eu esperava, porém, não tão ruim. Já nadei melhor, mas poderia ter sido pior… Vida que segue!
OBS.: Nem todo mundo sentiu frio na prova. Sou friorento demais mesmo.

Conclusão: Não gostei!!! (Mas poderia ter sido ainda pior)

T1

Saí da natação meio atordoado que quando lembrei de apertar o “lap” do Garmin já estava dentro da tenda… (Pô, nadei mais mas não foi tanto assim como diz a distância do Garmin… Rs)
Eu tremia tanto que acabei fazendo uma transição muito lenta. Tirei a roupa de borracha e me preparei pra pedalar com toda a calma do mundo. Depois disso ainda esperei um pouco pq estava com medo de pedalar daquele jeito…

Conclusão: Ridícula! Acho que foi a T1 mais demorada de toda a minha vida. Pior até do que a do meu primeiro Iron. Lamentável!!!

Bike

Aqui começava o grande desafio, afinal, seriam 180km com +/- 2.500m de altimetria.
Comecei tentando pedalar forte pra esquentar o corpo e logo na primeira subida já estava suando, que delícia… Rs
O percurso tem raríssimas partes planas e nenhuma sem vento, mas é de uma beleza impressionante.

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Adesivo com a altimetria colado no meu aerodrink.

Na expo, no stand da loja Tribike Lanzarote, conseguimos uns adesivos que tinham a altimetria da prova e a localização dos Aid Stations. Sensacional! A todo momento eu sabia o que estava por vir e, acreditem, isso pode parecer assustador, mas é sensacional saber que, por exemplo, no topo do próximo morro tem um ponto de hidratação etc.
O segredo aqui, pelo menos pra mim, é ter paciência e executar à risca o plano de hidratação e alimentação que vc elaborou em conjunto com seu/sua nutricionista (que, diga-se de passagem, eu tenho a melhor…).
Errar no ciclismo, nessa prova, é a diferença entre terminar a prova ou não. Não tô nem falando de ficar bem colocado, tô falando em conseguir terminar mesmo… É um pedal duro!
Na maior parte do percurso o asfalto é muito bom.
Alguns trechos de descida são um pouco perigosos. Tem lugar que a impressão que dá é que se errar a curva, já era…
Enfim, o tempo e os kms foram passando e confesso, estava tudo muito bem, mas lá pelo km 120 dá uma certa vontade de largar a porra toda. Ainda mais quando vc percebe que ainda faltam mais 2 morros pra subir… Foco e paciência são as palavras de ordem…
A parte boa é que quando chega lá pelo km 170 vc percebe que, daqui pra frente, praticamente só desce…

Bike - Altimetria

Altimetria do percurso.

Chegar na avenida da praia, onde fica a transição é algo indescritível. Ali veio a sensação de que realmente eu ia cruzar a linha de chegada, afinal, só faltava correr a maratona… Rs
Terminei a pedal com um tempo um pouquinho melhor do que eu esperava e isso me surpreendeu. Inclusive vislumbrei a possibilidade de tirar a diferença de tempo que deixei na natação e na T1… Rs

Conclusão: Gostei!!! Numa próxima vez (quem sabe) dá até pra arriscar um pouco mais…

T2

Depois de 7h20min pedalando, as pernas não estão exatamente sob seu controle. Mas até que consegui fazer uma transição não tão ruim.
Só não gostei muito pq achei a entrada da transição muito estreita e, apesar de saber que ainda faço uma transição bem lenta, eu tento fazer o mais rápido que dá. E faço correndo, não andando. Saí passando pela areia com a bike levantada igual a um maluco… Acho até que fui xingado… Mas em espanhol eu finjo que não entendi e vida que segue… Rs

Conclusão: Não foi boa, mas também não foi ruim…

Run

Comecei a corrida me sentindo muito bem e com as pernas tranquilas… Tenho dificuldade em controlar o ritmo quando termino de pedalar e dessa vez não foi diferente. Mas não demorei muito pra ajustar o pace e continuar no programado.
O percurso aqui é em 3 voltas, a primeira de 21km e as outras duas de 10,5km. É a primeira parte da prova que vc consegue ver as pessoas indo e vindo pra lá e pra cá… E a primeira coisa que comecei a fazer foi procurar a Lívia. Ali eu ia conseguir saber se ela estava na prova ou não, se estava bem ou não, enfim, era a hora de ter alguma informação sobre a prova dela…

Quando eu estava +/- no km 5, finalmente consegui vê-la, no outro sentido, +/- no km 15. É impressionante a tranquilizada que dá ao saber que, dentro do possível, nada de muito ruim aconteceu, afinal, ela estava na prova…
Mantive um ritmo programado até quase o km 15, onde comecei a sentir o cansaço… Daí pra frente, comecei a alternar a corrida com pequenas caminhadas nos postos de hidratação. Fechei a primeira volta, de 21km, e mesmo com a diminuída de ritmo a partir do km 15, eu estava com o tempo de corrida dentro do planejado.
A situação na segunda volta foi bem mais complicada. Tinha uma parte que ventava tanto que as pessoas corriam em fila pra não tomar tanto vento de frente… O ritmo caiu muito na segunda e na primeira metade da terceira volta. Somente depois do último retorno é que consegui colocar novamente um ritmo legal e correr direto pra chegada.
Faltando uns 500m, a Lívia, que já tinha acabado, feito massagem, comido etc, estava me esperando para me entregar a bandeira do Brasil.
Um pouco antes de entrar no tapete eu já estava num sprint muito forte… Fui passando as pessoas de uma maneira que não sei explicar de onde tirei pernas. Entrando no tapete, coloquei a bandeira pra cima e vim correndo até o pórtico…
Aí veio mais uma vantagem da prova: a faixa de chegada fica lá desde o primeiro até o último atleta a cruzar o pórtico. Acho que foi daí que tirei as forças pra passar quem estava na frente, não queria que atrapalhassem minha foto com a faixa de chegada no peito… Rs

Conclusão: Foi um pouco pior do que eu pretendia mas não foi ruim.

Pós prova

Na chegada, a primeira coisa que fiz foi procurar uma manta térmica. Cheguei bem, mas com frio.
Daí pra frente é a rotina normal mas com tudo muito bem organizado: refeitório, ambulatório, massagem, retirada de camisa de finisher…
Eu realmente acho que gostei de tudo…

No final do dia (meia noite) voltamos para ver o encerramento. É sempre emocionante a vibração da torcida pela galera que tá chegando ali no limite do tempo. Foi de arrepiar…

Day after

Férias e turismo!!! Rs

Conclusão geral

Se você pretende fazer uma prova realmente desafiadora, faça Lanzarote! Garanto que não vai ter arrependimento.
Agora, se vc quer fazer uma prova pra conseguir um tempo baixo e poder tirar onda que fez sub 9h, sub 10h etc, foge daqui pq não é o lugar…

Futuro

Assim que terminamos a prova combinamos que vamos voltar pra fazer de novo. Não posso garantir quando mas vamos voltar. Só não volto todo ano pq é longe. (E a passagem cara!!!)

 

Tem muita coisa legal na viagem e na prova… Assim que der um tempinho faço um outro post com mais curiosidades… Esse já ficou gigante!!!

 

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  1. Deysi
    23 de julho de 2018 às 10:34

    DOIS LINDOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Vou ler com mais calma depois, mas adorei ver que tem textão sobre a prova!!!!!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Deysi
    24 de julho de 2018 às 11:12

    Bah, Armando!!! Eu adoro esses posts detalhados! Muito obrigada!!!!! Ri demais e aprendi também!!!! Bom, eu, naquelas dos caras falarem que a prova era dura demais, que não voltariam..eu tinha voltado pra casa. hahaah
    Fico sempre pensando: a Lívia é muito bruta, mesmo. Tu estavas no km 5 da corrida e ela no 15. QUE GURIA!!!! Aguardando o post da preparação.

    Curtido por 1 pessoa

    • 24 de julho de 2018 às 17:27

      Que bom que tem alguém que lê… Rs
      Gosto de registrar pq pra essa prova de Lanzarote, por exemplo, procurei informação e encontrei muito pouco. A ideia é tentar ajudar quem fizer o mesmo tipo de pesquisa que eu fiz…
      Sobre a Lívia, sou suspeito pra falar, mas acredite: Ela teve um dia muuuito difícil, se não, a diferença seria ainda maior… Rs

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