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Ironman Brasil Florianópolis 2015 – A Prova

Amigos, eu sei que estou sumido e sei também que o relato da prova já perdeu boa parte do propósito.

Normalmente esse tipo de relato tem que ser feito logo após a prova. Só assim a gente consegue transmitir um pouco da emoção que vivemos.

Mesmo depois de todo esse tempo sem postar nada e pouco mais de um mês depois da prova, resolvi deixar aqui o que aconteceu naquela semana, sim, pq o Ironman não é só o dia da prova, é quase a semana toda, pra quem ainda se interessar por isso e também pra manter um registro de mais essa etapa…

Já aviso: Está grande! Tentei resumir o máximo possível mas sem deixar de lados os detalhes que considero mais legais…

Pré viagem

Quem acompanha (ou acompanhava, visto que está meio abandonado) esse blog, percebeu que desde a semana 13, de um total de 20, que eu não escrevo mais nada aqui… Até aí, as coisas estavam ruins mas ainda era possível acreditar que, no final, tudo daria certo…

Depois disso, parece que as coisas entraram numa espiral de dificuldades que tava ruim de sair. Mas vocês vão ver que realmente, no final, tudo dá certo… Ser cabeça dura tem lá suas vantagens… Ou não… rs

Meu último treino antes de viajar foi faltando exatos 17 dias pra prova: 40 x 100m na piscina, ou seja, 4.000m. Não só nadei essa distância nesse dia como saí da piscina como se não tivesse feito nada. Lembro muito bem de ter comentado que se no Iron eu saísse da água daquela maneira, o pedal ia ser com o sorriso largo de ponta a ponta…

Fato é que no dia seguinte entrei numa gripe leve que rapidamente se tornou absurda e cheguei a ficar 4 dias com febre. Depois de 7 dias, ou seja, faltando 10 pra prova, estava praticamente novo, fui nadar e depois de 1.000m saí da água completamente tonto. Nessa hora achei realmente que a prova estava escapando por entre os dedos. Como é que alguém que não consegue nadar 1.000m hoje vai fazer um Ironman daqui a 10 dias? Impossível, pensei…

Alguns dias depois tive uma recaída na gripe e comecei, sob orientação médica, é claro, a tomar antibióticos. Fazendo as contas, eu tomaria o último comprimido exatamente no dia da prova…

Desse jeito aí, fiz minhas malas e, cheio de remédios nas ideias e mais ainda nas malas, viajei no dia 27 à noite, quarta-feira, pra Floripa!

Pré prova

Na quinta-feira, já em Floripa, fui pra Jurerê acompanhar o treino oficial de natação. Estava um frio terrível (para os meus padrões de Rio de Janeiro, obviamente) e eu optei por permanecer dentro do casaco e não nadar. Sábia decisão! Sair da água com aquele ventinho frio ia ser quase tentativa de suicídio… rs

Neste dia decidi também que só montaria minha bike no sábado. Caso estivesse muito mal ainda, nem isso eu faria, deixaria a bike na mala do jeitinho que foi, só pra trazer de volta.

Quinta-feira a decisão era “Se a prova fosse hoje eu nem largaria!”

Na sexta-feira acordei surpreendentemente bem disposto. O nariz entupido tinha acabado, a voz fanha tinha acabado, a dor de garganta tinha acabado e até meu mau humor já tinha acabado. Todo mundo que encontrou comigo na quinta e depois na sexta percebeu a diferença. Era impressionante mesmo. Tão impressionante que logo depois do almoço decidi montar a bike e testar. Depois de tudo montado, caiu um temporal tão grande que o teste acabou ficando pra sábado de manhã… A decisão do momento era “Vai dar pra fazer a prova!”

No sábado logo cedo saí pra ver se estava tudo bem com a bike e comigo… A bike estava ótima!!! Já eu… Depois de 20min de pedal e 10min de corrida eu estava completamente ofegante. Inacreditável!!! Nessa hora o pensamento era “Vai ser meio sofrido…” rs

Cansado depois de um Giro de 20min... Foto da Maria.

Cansado depois de um Giro de 20min… Foto da Maria.

Na parte da tarde fui entregar a bike no check in e o clima da prova me fez esquecer de todo o resto…

Aproveitei pra tirar fotos com amigos que um dia já foram só virtuais e nessa altura já eram muito reais. Hoje em dia já são até famosos… É o caso da Maria, do Miltão e da Michelle, fenômenos das redes sociais e meus amigos!!! Pena que a Michelle não apareceu na foto… 😦

Só pra constar, não sou tão baixinho assim não... O ângulo da foto me prejudicou!!! Rs

Só pra constar, não sou tão baixinho assim não… O ângulo da foto me prejudicou!!! Rs

Estava realmente muito tranquilo. Qq estratégia que eu tinha imaginado já tinha ido por água abaixo mesmo. A meta agora era se divertir… rs

A Prova

Acordei por volta das 4:30, tomei um café da manhã “meia boca” e fui pra transição terminar de organizar os últimos detalhes.

Depois de tudo arrumado, tomei o último comprimido do antibiótico e me dirigi pra largada.

Estava bastante frio e nessa hora, alguns amigos que eu acabei fazendo durante a viagem acabaram me socorrendo com um casaco até a hora da largada…

Indo pra largada...

Indo pra largada…

Natação

A estratégia era sair da muvuca e nadar “no conforto” pra sair da água inteiro. Deu certo.

O único porém é que o meu “conforto” é lento e isso fez com que, na segunda volta, eu pegasse uma forte correnteza (que sempre acontece depois de determinado horário, em 2013 foi a mesma coisa) que conseguiu me tirar muito da rota planejada mesmo com vários staffs da organização tentando indicar a direção correta.

Pelo GPS acabei nadando um pouco mais de 4.400m ao invés dos 3.800m programados. Errar um pouco a distância, tudo bem, mas errar mais de 10% já é triste demais… kkk

Uma coisa que achei legal da organização esse ano foi que não colocaram apenas as boias de vértice. Colocaram também umas boias intermediárias pra ajudar a navegação. Parece que no meu caso não adiantou muita coisa… kkk

Tá aí, consegui sair vivo da água... rs

Tá aí, consegui sair vivo da água… rs

Tempo: 01:36:12

T1

Aqui cometi um belo erro estratégico. Na realidade não foi aqui, foi antes da largada.

Como estava muito frio na madrugada, resolvi não nadar com o top que faria o resto da prova. Imaginei que pedalar com o top molhado naquela temperatura ia me fazer congelar… E pra quem já não estava exatamente no melhor da saúde, poderia me trazer problemas.

Fato é que aquele top fica tão colado que foi uma saga pra conseguir vestir aquilo com o corpo molhado. Demorei muuuito pra conseguir. No final foi, mas… Ahh, tinha que colocar os manguitos tb… Puts… rs

Tempo: 00:09:36

Ciclismo

Essa era a parte que mas me deixava preocupado. Durante os treinos longos na estrada não consegui “encaixar” a alimentação e, em um deles, cheguei a parar um pouco antes do fim por “falta de combustível”.

Mais uma vez, a intenção era ficar “no conforto” pra completar a prova, e assim foi…

Sempre tentando me hidratar e me alimentar direito pra não acabar o gás, coloquei o Garmin da bike pra apitar a cada 15min. A ideia era comer de 30 em 30min mas se por algum motivo pulasse alguma “refeição”, 15min depois seria novamente lembrado… Até certo ponto deu certo. Uma pena que eu vacilei e a bateria acabou no começo da segunda volta, com cerca de 100km… kkk

Foto da TRI SPORT... Rá, tô famoso... rs

Foto da TRI SPORT… Rá, tô famoso… rs

Como não coloco o GPS do pulso pra me mostrar a velocidade, acabei fazendo um “voo cego” até o final do ciclismo (ok, quase cego pq se eu quisesse mesmo eu poderia ver a velocidade). Depois, olhando o GPS com calma, pude ver que a velocidade caiu bastante na segunda volta. Não credito o motivo apenas ao fim da bateria mas sim a isso somado ao cansaço acumulado e ao vento (que também sempre castiga a segunda volta dos lentos).

Eu estava tão “relaxado” em relação ao tempo que parei 3 vezes durante o pedal pra fazer xixi e mais uma no stand da Shimano pq meu guidom estava arriando.

Mais uma coisa que achei legal da organização esse ano, desta vez no ciclismo, foi que colocaram 3 pontos fixos da Shimano para pequenos reparos durante o percurso. A falta deles não teria me afetado em nada. Além de eu ter certa noção nos pequenos reparos, minha parada foi por puro comodismo. Dava pra ter continuado da maneira que estava ou eu mesmo ter feito aquilo…

Essa é pra quem acha que não faço força no pedal... rs

Essa é pra quem acha que não faço força no pedal… rs

Tempo: 06:42:36

T2

Cheguei na T2 e estava me sentindo tranquilo. Apesar de ter demorado bastante até aqui, como estava no esquema de “conforto” o tempo todo, achei que não haveria mais problemas daqui pra frente. Aí sim eu estava enganado… rs

Como a corrida terminaria de noite, optei por tirar os óculos de sol. Quando tirei os óculos percebi que minha vista direita estava embaçada. Joguei água e tentei de todas as maneiras limpar o olho mas não funcionou. Terminei de me trocar e fui correr assim mesmo.

Demorei demais aqui e acredito que a maior parte foi por causa do problema na vista…

Tempo: 00:10:03

Corrida

Comecei a correr tranquilo, afinal, o tempo não me importava e ali já dava pra praticamente garantir que a linha de chegada seria cruzada.

Mas eu ainda estava incomodado com o olho… Tão incomodado que, acho que com menos de 1km uma conhecida me gritou e parei pra que ela olhasse se tinha algo errado no meu olho. “Tá um pouco vermelho mas nada demais…”. Ok então… Voltei a correr como se nada tivesse acontecido. Mesmo com um olho embaçado… rs

Eu tinha no cinto 6 saches de gel. A programação era tomar 1 a cada 6 km e ainda teria a comida da prova, ou seja, de fome eu não morreria…

Quando chegou no 6ºkm, peguei uma água e fui tomar o gel. Infelizmente meu corpo não estava de acordo com o que minha cabeça tinha planejado e o gel voltou com tudo mais que eu tinha ingerido durante o pedal… Daí pra frente fiquei realmente muito enjoado e não consegui comer mais nada…

Incrivelmente passei a correr em um ritmo que estava confortável e que, dadas as circunstâncias, eu estava achando excelente…

No 25ºkm veio a conta… E amigos, infelizmente, nessas situações, a conta vem com juros absurdos… Parecia que tinha dado de cara na parede, colocado uma âncora pra eu arrastar e caneleiras de 5km em cada perna… rs

Nessa hora, passa tudo pela sua cabeça: os dias que passei sem treinar, os dias que tive de febre, a quantidade de remédios que tive que tomar e o olho embaçado… Foi a primeira vez que cogitei a possibilidade de não concluir a prova. Aquilo era realmente necessário? Eu tinha que provar alguma coisa a alguém? As respostas eram: Não e não…

Agora foto do MundoTri... Rá, mais famoso ainda... rs

Agora foto do MundoTri… Rá, mais famoso ainda… rs

Enquanto tudo isso passava pela minha cabeça, alternava trotes e caminhadas e, por volta do 30ºkm, defini que eu ia até o final sim mas que se minha visão piorasse eu pararia…

Continuei nesse anda e trota até quase o final. Nos últimos 3km a empolgação é tão grande que naturalmente voltei a correr tranquilo e pude, mais uma vez, concluir a prova.

Dessa vez a conclusão foi com uma certa dose de sofrimento que confesso que não achei legal. O tempo foi pior do que da outra vez mas isso é o que menos importa. Eu tinha chegado!

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Momento de reflexões e agradecimentos!

Tempo: 05:12:14

Tempo Final: 13:51:13

Só pra constar, no final da noite, quando fui dormir, apesar de estar com o olho bastante vermelho, a visão já tinha melhorado. No dia seguinte acordei vento tudo direitinho e o vermelhão já tinha diminuído bastante. Agora to novinho e pronto pra outra…

Queria, mesmo com esse atraso todo, agradecer demais às pessoas que estiveram comigo nos treinos e principalmente as que conheci lá em Floripa e me deram um apoio sensacional sem nunca terem me visto antes. É o caso da Maria, do blog “A Maria, o Triathlon…e um pouco das outras coisas…”, que além de ter feito uma excelente prova, me emprestou a sua “personal” torcida. Os caras me esperaram até eu chegar. Muito obrigado Valéria, Gerson, Hugo, Walter e esposa! Devo essa também a vocês!!!

Nem tudo são flores... Olha o estado pós prova... rs

Nem tudo são flores… Olha o estado pós prova… rs

Acabou!

Acabou!

  1. Maria Cláudia Ribeiro
    6 de julho de 2015 às 20:35

    Bom pra começar…só não vou chorar aqui porque eu sou durona tá! Vc sabe!
    Muito bacana os eu relato, contar pra todos quais foram as dificuldades que vc passou pra estar lá…mostrar que nem tudo é só treino e alegria e diversão e hahaha…tem muitas coisas que acontecem no caminho e ainda assim vc venceu todas elas e conquistou mais um Iron Man!
    Foi um prazer muito grande estar lá com vc…e com toda nossa turminha…foram ótimos momentos de diversão, de tensão, de conversa, de ajuda!!! Só tenho que agradecer vc e o Milton e a Mimi e todos os demais por isso!
    Quanto ao empréstimo do casaco foi um prazer emprestar pro paquitão-mor do RJ e os amigos….já disse, tudo nosso! Tenho certeza que vc tbm esperaria por nós (né?)
    bjs bjs, parabéns e mais uma vez obrigada por tudo!

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  2. Carol de Faria
    9 de julho de 2015 às 0:04

    Tinha toda a pinta para dar errada essa história… Mas vc optou por escolhas muito acertadas antes e durante a prova, com certeza isso ajudou muito. Enfim, o perrengue nas provas são bons para darmos ainda mais valor àquele momento e para ganhar experiência para a próxima empreitada.
    Enfim, li o relato por inteiro e acho ainda muito surreal fazer um full nessas condições (sentido amplo).
    Parabéns pela prova e por passar a sua experiência. De certo, muita gente vai poder entender um pouco sobre essa prova incrível😉

    Enviado pelo meu Windows Phone

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    • Carol de Faria
      9 de julho de 2015 às 0:05

      **os perrengues

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  1. 13 de junho de 2017 às 11:29

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